6 de setembro de 2011

O MEU QUERIDO MÊS DE AGOSTO

Pretendemos neste post informar sobre o que se passou em Agosto de 2011 nas bolsas europeias e como esse fenómeno transpirará para Setembro e por aí em diante:


Durante o mês de Julho, as bolsas europeias e norte americanas travaram um ciclo de 2 anos de ganhos. Essa travagem não se ficou pela estagnação, e em inícios de Agosto as quedas em bolsa foram fortíssimas, com quedas diárias de 4% ou mais. Durante o mês de Agosto, as quedas bolsistas evaporaram os ganhos obtidos durante todo o primeiro semestre de 2011.
Com as quedas em bolsa, foram os títulos das bancos europeus que mais caíram, e novos rumores apareceram de que os bancos estariam com dificuldades em se financiarem entre eles. Esta informação foi confirmada com a publicação semanal do Banco Central Europeu, que refere um aumento sem precedentes nos empréstimos concedidos em euros a bancos europeus. 


Já no arranque do mês de Setembro, novas quedas nas bolsas europeias levaram os títulos para valores de há 2 anos, ou seja, toda a capitalização bolsista obtida em 2 anos de crescimento foi dissipada apenas num mês e pouco. 
É já evidente que os mercados se anteciparam aos problemas que os países europeus e as suas instituições bancárias irão viver nos próximos dias, sobretudo a Espanha, a Itália, os bancos italianos, franceses, belgas e alemães.


Nos Estados Unidos, o mês de Setembro ainda não foi catastrófico para as bolsas, contudo os receios de Agosto avolumam-se com os péssimos indicadores económicos que vêem a público, e existe um banco em concreto, o Bank of America, que está na linha de fogo, com desvalorizações sucessivas em bolsa e que poderá estar na iminência de pedir resgate financeiro.


Com o acumular de receios sobre eventuais fenómenos potencialmente catastróficos na economia mundial, as autoridades políticas e monetárias continuam a tentar aplicar paliativos na economia, no sector bancário e no mercado cambial. Estas políticas apenas atenuam a velocidade com que os receios mundiais crescem, nada mais. Os problemas estruturais avolumam-se, crescem com o passar dos dias, e qualquer evento parecido com uma insolvência bancária poderá atirar os níveis de receio para um pânico generalizado.


Quando esse momento chegar, quem ainda possuir investimentos a prazo ou dinheiro aplicado em contas bancárias com maturidades fixas verá dificuldades em resgatar esses investimentos. Quem possuir dinheiro em contas bancárias à ordem terá apenas a possibilidade de levantar uma percentagem do valor global. Serão os cidadãos que pouparam e fizeram o seu trabalho de casa que verão os seus rendimentos congelados. Ainda vão a tempo de se preparar para o inevitável, minimizando o risco para si e para os seus.


Quem está excessivamente endividado provavelmente não terá muito a perder, já que poderá com alguma probabilidade renunciar ao pagamento das dívidas sem grandes consequências, dado que os bancos estarão num stress enorme e sem meios para repor a normalidade.


Tiago Mestre

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