30 de setembro de 2012

Isto sim, é o pior das PPP

De acordo com os contratos realizados entre o Estado e os consórcios das PPP's, ficou previsto que certa rentabilidade estaria garantida.
Essa rentabilidade manter-se-ia durante a vigência do contrato, e portanto, era possível antecipar todo o lucro que o consórcio teria.

E eis a pergunta dos gulosos:
Porque não antecipar desde já os lucros e transferi-los para os acionistas?

Alguém se lembrou, e ninguém disse que não. Ei, a prosperidade seria infinita, certo?

Segundo uma reportagem da TVI24 que cita um estudo da Ernst&Young, mais de 730 milhões de euros foram já transferidos dos consórcios para os acionistas, depauperando antecipadamente os capitais desses mesmo consórcios. Mas como era tudo com dinheiro emprestado, que lixe não é?

É esta a promiscuidade das PPP's:

Governo sonha, mas não tem dinheiro
Privados querem, mas não têm dinheiro
Bancos pedem e arranjam o dinheiro

O que aconteceu foi isto:
Pediu-se aos privados para gerirem e explorarem recursos considerados públicos sem assumirem riscos do lado da receita.
Isto não é capitalismo, é um sistema híbrido inventado à pressa por um dos lados da transação que quer obra feita mas que não tem dinheiro.

Tinha que dar asneira, porque qualquer privado, qualquer empresário responsável anda à procura de yield para a sua empresa.
É a sua natureza a funcionar, libertar recursos dos negócios para alimentar a empresa e alimentar-se a si mesmo. Quando o Estado lhes oferece condições únicas, não hesitam.

Mas raramente o futuro é como nós o projetámos, e neste caso, o Estado prometeu objetivos e metas que não podia cumprir.

E sem terem feito contas, ou em alguns casos evitaram fazê-las, não quiseram perceber que o desastre económico se aproximava rapidamente, e com isso o Estado entraria em colapso. Foi o que aconteceu, e agora que o governo está a renegociar as PPP's, a verdade é que a tal rentabilidade perpétua já lá não estará, mas o dinheiro dos futuros lucros já foi transferido e "desapareceu".

O modelo de negócio das PPP's ficará na história como das coisas mais infames do período final da nossa democracia, ou da III República, chamarão alguns.

Muitos destes consórcios estarão já em processos de insolvência técnica, mas como os bancos estão enterrados até ao pescoço com estes negócios milagrosos ruinosos, andam a evitar a todo o custo que se declare a falência destes. Querem adiar o descalabro o mais possível, contudo o que estão a fazer é a juntar cada vez mais dinamite no interior do paiol.

"Senhor, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem"

Tiago Mestre

O ciclo mortífero dos bancos portugueses

1. Necessidade de captação de depósitos para reforçar capital e rácios

2. Remuneração atrativa de depósitos

3. Necessidade de optar por investimentos mais arriscados em busca de yield

4. Aquisição massiva de obrigações soberanas portuguesas

5. Necessidade de reportar prejuízos caso o preço destas desça e a yield suba

6. Necessidade de aumentos de capital e captação de depósitos para reforçar capital e rácios

E o ciclo repete-se...

Tiago Mestre

CP num beco sem saída...


Relatório e Contas 2011:

Balanço:
Capital Próprio: - 2,9 mil milhões de euros
Passivo:             - 4,2 mil milhões de euros

Demonstração Resultados 2011:

Vendas e serviços prestados:      289,7 milhões de euros
Custos com pessoal:                   168 milhões de euros
Resultado operacional líquido:   -289,4 milhões de euros

Conclusão nossa:

Compreendemos que ninguém gosta de trabalhar de graça, mas se assim não o for, teremos que parar os comboios, não por motivos de greve, mas de forma definitiva.

É preciso escolher, e rapidamente, porque todos os anos a empresa gera prejuízos a rondar os 250 milhões de euros e obriga-se a endividar mais ou menos nessa proporção. Todo somado, a dívida já vai em 3,6 mil milhões de euros, que a um juro médio de 5% dá a módica quantia de 180 milhões de euros por ano só em juros.

Uma empresa que por ano fatura 289 milhões, tem despesas com pessoal de 168 e tem que pagar juros a rondar os 180, é simplesmente RIDÍCULO, INSANE, etc.
Adjetivem como quiserem, mas a falência desta empresa é certa, e só não aconteceu mais cedo porque o crédito, esse monstrinho, foi adiando o dia D. Hoje o monstro não consegue sair da sala e está tudo a sufocar lá dentro. Será o monstro a provocar o próprio dia D.

É este o paradoxo da dívida:
Adia o dia D, mas no futuro será ela a provocar o próprio dia D.
Agora? É tarde demais.

Tiago Mestre

ESM à prova de bala

Por sugestão do Carlos, visualizámos este vídeo de 3 minutos sobre a blindagem judicial que se esconde por trás do novo mecanismo ESM.


É por estas e por outras que a malta se começa a enervar e a querer dar um pontapé ao projeto europeu. Sem liberdade não há regime que aguente.

Da contribuição passámos para a extorsão, e sem direito a ação judicial.
Parabéns a Barroso, Rompuy Juncker e Merkel pela ousadia!

Tiago Mestre

29 de setembro de 2012

Bullshit



Teremos eleições antecipadas a caminho?

Tiago Mestre

Portugal entra com 2 mil milhões para o Fundo Europeu ESM

Ouvimos ontem o secretário de Estado Marques Guedes referir que o contributo de Portugal para o reforço do fundo europeu de estabilidade ESM se saldará em 2 mil milhões de euros, e que não entrará nas contas do défice para este ano!

Em primeiro lugar, não deixa de ser caricato e absurdo que para o capital exigido pelo ESM aos países do €, contribue Portugal com 2 mil milhões de euros, ele próprio em processo de resgate pelo FEEF e sem capacidade de se endividar a preços aceitáveis. Provavelmente, Portugal precisará do dinheiro do ESM, mas enfim, já são tantos os absurdos na construção do projeto europeu que já nem faz confusão.

Mas o que julgamos saber e que Marques Guedes não disse é que estes 2 mil milhões entrarão para a dívida pública, ou seja, se ela já ia em 197 mil milhões para final de 2012, desta forma ficará a roçar os 200 mil milhões de euros, essa mítica barreira da democracia portuguesa.

Não interfere no défice, mas interfere na dívida. É mais uma distinção sem diferença.

O governo e seus assessores passaram na cadeira de "Linguagem Política" com 20 valores. Só pode .

Tiago Mestre

Ficámos hoje a saber quem foi o pai da medida TSU

António Borges, consultor do atual governo e falando hoje numa conferência, veio dizer à população que qualquer aluno dele de 1º ano de Economia que não percebesse o alcance da medida TSU chumbaria na sua cadeira.

E mais, os empresários, ao não perceberem esta medida, incorreram num enorme disparate.

E pronto, revela-se o homem, revela-se a teoria.
Há uns tempos escrevemos sobre o problema dos teóricos que se apaixonam pela sua teoria e que não aceitam uma realidade diferente daquela que desejariam.

Evitei dar a minha opinião aqui no blog acerca desta medida, tanto por ela ser irrelevante para as contas do governo como por eu próprio ser empresário e beneficiar diretamente com ela. Achei que não ficaria bem, mas como o assunto já é passado, eis o que penso:

Por ser uma transferência de riqueza do trabalhador para a empresa, é de suspeitar que este, desmotivado por tal extorsão forçada, exerça outro tipo de comportamentos na sua vida profissional que não é compatível numa empresa que se quer organizada.
Provavelmente teria trabalhadores a:
- Desleixarem-se nos horários;
- A estarem menos disponíveis para colaborar em horas e dias mais complicados para si e para a sua família;
- A não mostrarem força de vontade em querer aprender e defender os interesses da empresa e da sua administração
- Trazerem mais problemas financeiros pessoais e familiares para a empresa, sob a forma de penhoras dos salários, pedirem dinheiro emprestado uns aos outros (não seria a primeira vez), etc
- E inventarem toda a sorte de mentiras e justificações para não fazerem aquilo que acham pouco digno na sua profissão mas que às vezes é preciso mesmo fazer.

Enfim, o ganho financeiro com a TSU poderia não ser suficiente para compensar estes riscos comportamentais que degenerariam numa empresa menos organizada e menos rentável.

Vai daí, e juntamente com o meu sócio, pensámos no seguinte:

1º Devolver 50% da TSU aos trabalhadores sob a forma de aumento de salários base
2º E os outros 50% ficarem de reserva para baixar o valor hora aqui ou acolá para seduzir um cliente novo ou existente.

Estávamos nesta fase da análise e da respetiva comunicação aos trabalhadores quando se percebeu que a medida caiu por terra no Conselho de Estado.

Espero que António Borges não me chumbe, ou então desisto da cadeira primeiro.

Em termos macro-económicos, as consequências seriam +/-estas:

- o consumo interno levaria mais uma machadada (o que era mau)
- a recessão seria muito mais agudizada (mau),
- a queda nas receitas dos impostos abriria mais um rombo na execução orçamental do Estado (mau)
- as importações cairiam ainda mais (bom)
- as exportações talvez aguentassem mais algum tempo (bom),
- a balança atingiria mais depressa o superavit (bom)
- os empresários pagariam menos impostos, sobrando mais dinheiro para tesouraria (bom), pagariam mais depressa a fornecedores (bom), recorreriam menos ao crédito para financiar a empresa no dia-a-dia (bom), poderiam baixar preços aos clientes (bom), mas com mais dinheiro no bolso e sem vontade de declarar lucros e rendimentos, provavelmente despejariam este excesso de dinheiro em compras sumptuárias, fugas aos impostos, etc, etc (mau)

Ficar como estamos ou abraçar a medida TSU é escolher entre uma coisa má e outra igualmente má. É uma diferença sem distinção, na medida em que são os impostos, na globalidade, que têm de baixar, e não trocar percentagens de um lado para o outro.

Tiago Mestre

28 de setembro de 2012

FMI ensina-nos que uma dívida muito grande demora muito tempo a liquidar

Vem o FMI agora dizer que um défice público superior a 100% do PIB demorará décadas a corrigir.
Até referiram que são precisos pelo menos 15 anos para baixar 10 pontos percentuais.
Notícia aqui

Afirmações destas parecem-nos autênticas aberrações económicas, tal é a enorme dificuldade em perceber as idiossincrasias próprias de cada economia, de cada povo, do momento mundial que estão a viver e de como tudo se irá passar daqui a 5, 10, 15 anos.

Contudo, deixo à vossa consideração 3 cenários possíveis até 2027. Escolham aquele que julgam ser o mais  realista dentro das circunstâncias que já todos conhecemos:




Veremos o que nos calha na rifa

Tiago Mestre

Prejuízo do Estado no 1º semestre: 5,5 mil milhões de euros, ou 6,8% do PIB

Com o Estado a contrair um défice de 5,5 mil milhões de euros no 1º trimestre de 2012 segundo o INE, e tendo Vitor Gaspar já incluído os 2,3 mil milhões de receita extrordinária dos fundos de pensões, parece que iremos acabar 2012 com um défice a roçar os 12, 13 ou 14 mil milhões de euros.

Com uma dívida consolidada em 2011 de 185 mil milhões, parece que a barreira dos 200 mil milhões está a um passo de ser ultrapassada caso se some à dívida estes 12 mil milhões que teremos de défice, a não ser que surja no horizonte alguma receita extraordinária, mas enfim..

E com uma recessão prevista de 3,3% para 2011, o PIB cairá de 171 mil para... 166 mil milhões, também segundo um documento jeitoso do INE sobre procedimentos de défices excessivos.

Ou seja, para o ano que vem, sempre que usarmos o PIB para efetuar rácios, teremos que esquecer os 170 de 2011 e "regressar" aos 166 mil milhões de 2012. E já todos sabemos o que acontece aos rácios quando o denominador reduz de valor:

Défice em função do PIB? Sobe
Dívida em função do PIB? Sobe
Despesa em função do PIB? Sobe
Receita em função do PIB? Sobe - Em 2011 já iamos em 44,7%.

Estaremos a um passinho da receita atingir os 50% do PIB, o sonho de qualquer keynesiano. Eu já sonho com os 90% do PIB. Mantendo este nível de impostos só é preciso esperar que o PIB vá caindo. Há-de lá chegar, porque para 2012 haverá novamente aumento de impostos e recessão garantida.

Todo e qualquer rácio que se calcula em função do PIB e que já era mau, será pior... Tá bonito

Tiago Mestre

Eu imprimo muito, mas tu imprimes mais. Quem ganha?

O Vazelios fez um comentário no post anterior com uma pergunta pertinente:

Se eu imprimir mais do que os outros, será que ganho alguma coisa com isso?

Ou seja:
Vale a pena desvalorizar mais a nossa moeda do que as restantes para ganharmos competitividade?

O Filipe também respondeu e concordo.

Há uns meses mostrei um gráfico que o Vivendi gostou muito e que referia que os países que enveredaram por desvalorização monetária não viram as exportações crescerem mais em valor do que as importações. Até aconteceu o oposto. Remeto novamente o gráfico, que não é muito fácil de interpretar:



Iene, Yuan e Dólar são as moedas que viram o valor das suas exportações perder mais terreno face às importações. Todas elas foram objeto de desvalorização massiva.

Parece-me que a conclusão "natural" de que desvalorização monetária reforça a competitividade é literal e redutora, porque não tem em conta uma data de consequências indiretas, e que pelos vistos aniquilam a aparente vantagem de baixar o preço das exportações:

- Importa-se mais caro, mas esta é evidente
- Gera debandada de investidores por receio de desvalorização do dinheiro
- Sai dinheiro do país e com isso desaparece a energia necessária para o investimento. Sem investimento nada se reproduz.
- Ficamo-nos pelas empresas que já existem, mas que não são suficientes para a permanente transformação económica e industrial que o mundo de hoje exige.
- Não esquecer que para que o emprego se mantenha, as economias têm que crescer 2 a 3% ao ano pelo menos. E esse crescimento não pode incluir nem o investimento do Estado nem o endividamento. Tem que ser crescimento baseado em poupança e investimento reprodutivo, ou seja, setor privado.
- Ninguém quererá emprestar dinheiro denominado na nossa moeda com receio de esta ser desvalorizada no futuro. Mais uma machadada no investimento e na criação de emprego.

Ou seja, ao desvalorizarmos a moeda na tentativa de "ajudar" as empresas a exportar mais no PRESENTE, parece que estamos a roubar energia ao FUTURO, impedindo a criação de novos investimentos de forma sustentada no longo prazo.
E que energia é essa?
É a poupança acumulada em solo doméstico que abala de cá e a quebra da vontade de investidores externos que pouparam noutro sítio em quererem cá meter o dinheiro.

No meio desta confusão, ganha quem imprime mais ou ganha quem imprime menos?
Em boa verdade, sempre que se desvaloriza, parece que nunca se ganha. É complicado

Tiago Mestre

Voltaremos à despesa de 2006 e tudo ficará resolvido?

De acordo com o post do Vivendi,  soubemos que o economista Cantiga Esteves referiu na televisão que bastaria reduzir a despesa do Estado para valores de 2006 para começar a haver equilíbrio.

Fomos ao Eurostat e só conseguimos apanhar as contas consolidadas de 2007 em diante:


Despesa em 2007 = 169 319 x 0,444 = 75,1 mil milhões de euros
Parece-me ser um valor de despesa bastante semelhante àquele que teremos em 2012 !

Receita em 2007 = 169 319 x 0,411 = 69,6 mil milhões de euros
Penso que em 2012 nem sequer chegaremos a este valor !

2006 não terá sido MUITO diferente de 2007, pelo que não estou bem a ver onde foi Cantiga Esteves buscar dados para justificar tal afirmação.

E em relação à trajetória da despesa, há rúbricas que já não voltam atrás com a facilidade que Cantiga Esteves induz aos telespectadores ao afirmar o que afirmou:

Juros em 2007: 5 mil milhões €
Juros em 2012: 8 mil milhões €

Despesa Social em 2007: 31 mil milhões €
Despesa Social em 2012: 39 ou 40 mil milhões €       (ainda não sabemos em concreto)

Só nestas duas rúbricas a despesa aumentou +/-12 mil milhões de euros em 5 anos.

Não se volta atrás assim sem mais nem menos e muito menos com um passo de mágica.
É preciso dizer à população a dor que tal redução na despesa trará.

Tiago Mestre

27 de setembro de 2012

Défice público vs défice comercial. Qual é pior?

Caros leitores e leitoras, remeto abaixo a pergunta que o Miguel me fez por email e a minha resposta:

Relativamente à questão que me preocupa e que tenho dúvidas, dado que economia não é a minha área, relaciona-se com a questão da quebra de receitas dos impostos sobre o consumo. A esquerda apregoa sem cessar que é um descalabro. Tenho lido muitos artigos a dizer evidentemente que a culpa é da austeridade, etc... No entanto, já li e chego a concordar, por analogia ao caso irlandês que mais importante que o deficit do estado é a balança comercial. Ou seja, um estado com superavit mas num pais com uma balança comercial desfavorável 5% é pior que o inverso. Sei que poderá não ser fácil e direto interpretar estes estados (quiçá teórico no primeiro caso) e compará-los mas considero, que a primeira vitória no plano macro económico, foi ganha. Será esta uma vitória estratégica ou não tem qualquer interesse face às batalhas que ainda têm que ser travadas?


Colocas uma questão muito interessante, mas não interpreto o problema recorrendo a esta dualidade defice público vs défice comercial.

Penso que são até duas faces da mesma moeda, e porquê?

Sempre que temos um défice, isso significa que o nosso saldo é negativo, ou seja, compramos mais do que vendemos.

Se com o exterior temos um défice, isso significa que compramos mais do que vendemos.
Se o estado tem um défice, isso significa que compra mais do que arrecada em impostos.

E como é possível alimentar défices?
Ou recorrendo ao endividamento ou à impressão de dinheiro. Não me estou a lembrar de mais nenhuma.

O Estado comprou mais do que arrecadou?  Teve que se endividar na diferença.
Portugal comprou mais do que vendeu?        Teve que se endividar na diferença.

E como foi possível endividarmo-nos? Porque houve alguém disposto a emprestar sem acautelar as premissas fundamentais de uma economia saudável e próspera.

Numa economia como a nossa em que produzimos pouco (30% do PIB), sempre que o Estado reduz despesa, as importações baixam por tabela, já que muitas das compras do Estado são de bens que não são fabricados em Portugal.

E sempre que a população perde poder de compra, ou através do abaixamento dos salários, ou pela contração na concessão de crédito, ou por medo, as importações também caiem, já que também a população compra muitos bens que não são produzidos em Portugal (carros, mobiliário, máquinas, etc, etc).

Na minha análise, foi o crédito concedido a Portugal nos últimos 15 anos que nos fez manter um poder de compra totalmente virtual, e com isso comprámos muito mais do que conseguiríamos produzir alguma vez na vida.

Escreves: "um estado com superavit mas num pais com uma balança comercial desfavorável 5% é pior que o inverso"

No Japão a balança comercial era credora até há uns meses e o Estado é e continuará a ser profundamente deficitário. Emite obrigações soberanas semanalmente com a esperança de que os japoneses as comprem com o excesso de divisas que acumulam por serem muito industriais e exportadores. Mas um dia chega a notícia de que a exportação não compensa a importação, e o défice comercial entra em ação. Terá o Estado tempo para corrigir a sua trajetória deficitária e tornar-se superavitário para compensar a inversão na balança? Não creio, porque baixar despesa e/ou aumentar impostos é coisa lenta de se fazer. É o que se está agora a passar no Japão. De toda a despesa do Estado japonês, metade vem de receitas e outra metade vem de dívida. Surreal, e totalmente insustentável

A minha sugestão é esta:
O Estado é uma entidade que, como em qualquer organização, deve apresentar saldos positivos ou ligeiramente superiores a zero -  Défize ZERO.

E Portugal, tanto quanto possível, só deve poder comprar na quantidade daquilo que consegue vender. Se exporta 55 mil milhões, só pode importar 55 mil milhões. E como? Restringir o crédito para funções e tarefas não produtivas.

Só as empresas de carácter reprodutivo, como as indústrias, é que têm a capacidade de replicar o financiamento obtido, ou seja, compram a máquina a crédito, ela produz peças, vendem-se as peças, dando para pagar a máquina, os juros do crédito, o operador, a renda do armazém e ainda sobra algum lucro.

Esta sugestão que dou é, para o bem ou para o mal, uma completa regressão nos padrões de vida da população.
Este desalavancamento eclipsará milhares de milhões de euros dos bolsos dos portugueses todos os anos. No fundo é isso que já está a acontecer.
Estamos a corrigir, a ressacar da bebedeira, e claro, ninguém quer ficar na fila da frente.
Algum dia teríamos que começar a pedir menos crédito do que em relação ao dia anterior, mas face aos valores monstruosos de juros e de capital que JÁ temos para pagar, reduzir o crédito é perder tanto, mas tanto poder de compra, que ninguém se conforma e o pessoal sai à rua.

Imagina que vivias com um poder de compra de 2000€ por ano.
Mas 1/4 desse valor era por concessão de crédito: 500€
Todos os anos tinhas que pagar 5% em juro, ou seja, 25€ no primeiro ano

2º ano
dívida: 1000€
juro a pagar: 50€

3º ano
dívida: 1500€
juro a pagar: 75€

4º ano
dívida 2000€
juro a pagar: 100€

5º ano
dívida 2500€
juro a pagar:  125€

6º ano
dívida 3000€
juro a pagar: 150€

12º ano
dívida: 6000€
juro a pagar: 300€

No 12º ano já tens que guardar quase 1/6 do teu rendimento só para juros. E nunca pagaste o capital, já que foste sempre pedindo mais crédito, empilhando dívida em cima de dívida sem nunca a reduzir ou atenuar o seu crescimento.

No 13º ano o teu credor diz-te o seguinte:
Olha Miguel, lamento mas não vou poder financiar-te mais. Tens que me pagar a dívida e os juros sem eu poder ajudar-te com mais crédito.
A partir desse dia, o teu poder de compra cai logo de 2000 para 1500. Soma o juro de 300 e reduz para 1200, e pressupondo que tens que pagar a dívida em 6 anos, isso significa que terás que libertar mais 1000€ todos os anos para amortizar o capital, reduzindo o teu poder de compra de 1200 para 200€ !!!
Ou seja, passar de 1700€ de rendimento líquido (retirando os juros) para 200€ é perder mais de 1/6 do teu poder de compra.
Game Over

Quanto maior é a subida na dívida, maior é a queda na ressaca.

Qualquer deficit fora de controlo é um monstrinho à espera de ser descoberto. Se for tarde demais, o monstro já não consegue sair da sala. Sufocas lá dentro com ele.

Tiago Mestre

26 de setembro de 2012

Aguardamos pelo OE 2013

Aguardamos pelo orçamento de Estado para 2013 e as tão desejadas medidas adicionais de austeridade.

Sendo eu um empresário que tem as contas em dia, empresa bem estruturada, 20 funcionários, balanço mais do que estável e luto todos os dias para que a empresa dê lucro, nada é mais estimulante do que me virem pedir mais 100€ ou 150€ por mês para pagar os salários de 2 e 3 mil euros de arquitetos, engenheiros e outras profissões que tais ao serviço das câmaras, repartições, institutos, hospitais e outros, em que a única função que têm é executar bem o seu trabalho específico sem se preocuparem com o resto da organização.

Não digo qual é o meu salário porque me envergonho de o referir para alguém com as minhas responsabilidades..

A fonte irá secar, mais cedo ou mais tarde,e só espero pelo dia em que a tributação chegará aos 90% do PIB. Aí sim, teremos uma sociedade livre... de impostos.

Tiago Mestre

25 de setembro de 2012

O jornal i já percebeu o filme...

Caros leitores e leitoras, há 2-3 anos, quando estes assuntos económicos se tornaram mais evidentes para nós, muita nos espantava a falta capacidade da imprensa em ir ao fundo das questões e correr atrás de uma boa história. Entretanto, da perplexidade transitámos para o conformismo, ou seja, já não nos fazia diferença nenhuma.

Mas mais vale tarde do que nunca, e parece-nos que o jornal i já encontrou o caminho que lhe permite correr atrás de uma boa história. Oxalá não me engane.

A história da economia e das finanças portuguesas no século XX é vasta e riquíssima, um autêntico carrossel, alternando entre a austeridade, a inflação, o endividamento sem regra e outros fenómenos que tais.


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Tiago Mestre

24 de setembro de 2012

E a dívida também...

Segundo os dados do INE e dos relatórios da troika a que o jornal i teve acesso, as novas previsões da dívida em função do PIB para 2012 subirá dos inicialmente estimados 114% para 119%.

E para 2013 as novas projeções apontam para 124% do PIB quando se estimava anteriormente que não ultrapassaria os 118%

Ou seja, esta nova correção para 2012 supera a estimativa que tinham feito inicialmente para 2013.

Tudo isto para dizer que estes rácios "bateram todos na trave" porque o otimismo na captação de receita fiscal morreu na praia.

É o défice que se agrava, é o endividamento que sobe e é o PIB que afunda. Tudo a bater mal, resultando nesta subida galopante dos rácios de referência das finanças públicas.

Para 2013 acabaremos com um rácio de dívida não de 124% do PIB, mas sim de 135% ou mais porque:
O PIB afundará mais do que o governo está a prever
A receita cairá mais do que o governo está a prever
Os juros aumentarão por causa do aumento do défice deste ano
O défice agravará, obrigando à emissão de mais dívida
E há muito buraco financeiro ainda por destapar. Não esquecer a CP, a EP, a Carris, os Metros Lx e Pt, as PPP's falidas, a dívida na saúde, as empresas municipais, e por aí fora..


Sendo mauzinho, Schauble e Merkel já sabiam desta monumental derrapagem, e com indicadores destes, recorreram ao truque clássico da hipocrisia política para tentar "vender" um Portugal bem comportado e merecedor do dinheirinho dos alemães.

Portugal, com uma dívida pública de 130% do PIB, é um caso sério, e na minha modesta opinião, será tarde demais.
O tipping point das nossas finanças públicas e da sociedade tal e qual como a conhecemos deu-se com a desistência da coligação em lutar pela efetiva redução da despesa.

Repetindo a dose em 2013 no aumento de impostos como já se fez em 2012 e com os resultados que já todos sabemos, a coligação muda de paradigma económico, e o pseudo-liberalismo que tanto se apregoava de menos governo, menos despesa e mais economia privada cai derrotado no chão perante as forças vivas da sociedade que não querem mais austeridade do lado da despesa e ultimamente do lado da receita. Ninguém quer abdicar nem contribuir, todos querem usufruir.

Cada pessoa e cada sociedade têm realmente aquilo que merecem, e a democracia aí está para provar esta evidência.

Tiago Mestre

O Estado não pára de crescer...

... e não há nenhuma solução no horizonte que possa contrariar esta tendência, de acordo com o boletim da síntese orçamental de Agosto.

                                                                      2011                                                                       2012

Até 31 de Agosto, o Estado arrecadou mais 3 mil milhões de impostos diretos e indiretos em 2012 face a 2011, e na despesa cresceu 2 mil milhões.
A máquina não pára de crescer, é impressionante.

E se formos ver o saldo (défice), em 2011 íamos em 5,17 mil milhões negativos, ao passo que em 2012 estamos pelos 5,49 mil milhões. O défice está 400 milhões euros maior. Aauch

Parece que a despesa e a receita ganharam em toda a linha e a austeridade arrumou as botas.

Analisar estes números depois de ter revisto a palestra de Walter Williams onde este defende que o Estado não deve exceder os 18% do PIB até me dá má disposição.

Se andássemos pelos 18% do PIB como teto máximo para a despesa do Estado, esta não deveria exceder os 30 mil milhões de euros para os 12 meses.

Em 8 meses já vamos em 47,2 mil milhões, e certamente iremos acabar o ano a roçar os 73-74 mil milhões de euros !

Tiago Mestre

O papel legítimo do governo numa sociedade livre

Nada como nos apoiarmos nos ombros daqueles que já estudaram uma vida inteira sobre o que é, e o que não é, uma sociedade livre.

Walter Williams é um economista de referência, à semelhança de Thomas Sowell, e que muito prezamos aqui no Contas.

O Filipe vai adorar a palestra porque se revê na sua totalidade, mas para os mais céticos, aqueles que acham que o governo tem uma palavra a dizer na saúde, na educação, na segurança social e nos subsídios, se ouvirem de mente aberta e com humildade a sabedoria que este senhor tem para nos transmitir, verão que este homem também o faz da mesma forma, sujeitando-se às mais variadas conotações por defender ideias tão fora dos tempos atuais mas que ainda assim se sente na obrigação de as expor.

São 50 minutos de raciocínio puro, elegante e "despoeirado"


Tiago Mestre

Desacatos numa fábrica da Foxconn na China

Se queremos que as indústrias regressem ao Ocidente, Portugal poderia estar na linha da frente para voltar a recebê-las, mas com estes impostos todos sobre o trabalho e o capital....

Na China, uma fábrica que emprega só 75 000 trabalhadores foi alvo de altercações entre 2000 trabalhadores.

Para acalmar as coisas, foram enviados nada mais nada menos do que 5000 polícias.

Era muito importante para nós que daquele lado houvesse mais confusão, mais instabilidade, salários com aumentos de 10% ao ano, et, etc.
Só assim os investidores começariam a pensar duas vezes em trazer indústrias para países como o nosso.
Era tão bom, e fazem-nos tanta falta.

A notícia foi avançada pelo Guardian e reproduzida pelo Business Insider.

Atualização:



Tiago Mestre

Se cai a TSU, o que é que se levanta? (Parte 2)

Nem de propósito, a pergunta que ontem formulámos já teve hoje resposta:

Mais IRS para todos e suspensão de subsídios para o privado.

Sugerimos a todos aqueles que se manifestaram na passado Sábado dia 15 de Setembro que não deitem os cartazes para o lixo. Farão falta novamente.

Aumentar a SS de 11% para 18% ou suprimir subsídios, em termos práticos, é exatamente a mesma coisa.

SS e FISCO são hoje uma só instituição, uma amálgama de departamentos, repartições, taxas, impostos, contribuições, dinheiro e dívida, muita dívida.

Cortes na despesa? Nada vi nem nada ouvi.

Fiquei com a perceção de que muita gente julgava que fazer frente à medida da TSU ajudaria sabe-se lá o quê e quem. FALSO.
Porque se não se aumenta de um lado, aumenta-se do outro.

O que é preciso é assegurar que os ilustres juízes do TC se sintam "confortáveis" com a proposta, mesmo que a carga tributária sobre todos nós suba para 50, 60, 70, 80 ou até 90% do PIB. 
Já imagino o dia em que a tributação será de 100% do PIB e a coleta fiscal será ZERO.
Que bela sociedade que nos arranjaram.

Tiago Mestre

Nem os juros se conseguem liquidar, quanto mais o capital

Portugal deve a entidades credoras (domésticas e não domésticas) aproximadamente 375% do PIB, o que equivale a 637 mil milhões de €.

Sendo o PIB de 170 mil milhões de euros, percebe-se o buraco entre estas duas cifras.

Tendo como juro médio uma taxa de 4,5% para toda esta dívida, isto significa que todo o santo ano temos que pagar 28,6 mil milhões de euros em JUROS.

Ou seja, só para pagar juros precisamos de arranjar 28,6 mil milhões de euros de riqueza adicional.

Pergunta:
E onde se vai buscar este dinheiro?

Resposta:
Ao BCE, sob a forma de ainda mais crédito.

Estamos a endividar-nos para tentar pagar juros, porque amortizar o capital, ou seja, reduzir a dívida, ainda é para esquecer.
Endividamo-nos hoje para pagar o capital e os juros que pedimos ontem, e amanhã teremos que voltar a pedir mais dívida para pagar o capital e os juros de hoje.

É este o ciclo de dívida que corrói qualquer sociedade, e atrevemo-nos a dizer, qualquer civilização, porque os montantes de que hoje estamos a falar são inéditos na nossa história, e quando o Estado já ocupa 50% da economia, cuidado com os próximos capítulos.

As afirmações de Miguel Torga e Franco Nogueira, que no momento da sua morte, confidenciaram ao jornalista Fernando Dacosta que preferiam morrer a assistir à destruição de Portugal começam-me a martelar no cérebro com cada vez mais frequência.

Tiago Mestre

Patrões querem aumento do tabaco para manter corte na TSU

Caros leitores e leitoras, quando a margem de manobra do governo é cada vez mais pequena, nada como "incluir" as entidades patronais, sindicais e outras na elaboração de medidas, na tentativa da sociedade aceitar e engolir a quantidade de disparates que saem destas reuniões.

Alguém se lembrou de sugerir o aumento do preço do tabaco (ainda mais) como forma de compensar o corte da TSU de 23,75% para 18% para as empresas.

À primeira vista até parece bem porque irá estimular as pessoas a deixarem de fumar e nada melhor do que exigir aos viciados da sociedade que paguem a maior competitividade das empresas.

Pois, mas como em muitas coisas na nossa vida, entre o que imaginamos que irá acontecer e aquilo que depois efetivamente acontece vai uma grande distância.

O que verdadeiramente irá acontecer será uma nova corrida ao contrabando de tabaco.
Com tanto pescador a lutar pela sua sobrevivência e com tanta gente em terra sem nada para fazer, ganhar uns trocos a contrabandear um produto que até nem é um bem essencial certamente não será problema. Com tanta fronteira terrestre não vigiada e centenas de quilómetros de costa atlântica por explorar, deixamos o resto à capacidade criativa do português.

Contrabandear tabaco já foi arte em Portugal ainda não há muito tempo. E normalmente, tudo o que seja arte não se esquece, transmite-se de geração em geração.

Ao governo sairia o tiro pela culatra porque a receita fiscal não veria o incremento desejado, abrindo novo buraco na execução orçamental.
Toda a gente quer fugir das medidas impopulares, ou seja, redução da despesa.

Sugestões desta natureza são para nós típicas de gente chico-esperta.

Tiago Mestre

23 de setembro de 2012

Grécia volta a aldrabar. Já nem choca, até tem piada.

Caros leitores e leitoras, na esperança de que o resultado seja diferente, nada como continuar a a aplicar as mesmas técnicas, mas numa escala maior.

Antoni Samaras, primeiro-ministro grego, veio referir que o défice público grego nos primeiros oito meses de 2012 foi de 12,5 mil milhões de €, quando estava projetado um défice de 15,2 mil milhões de euros. UAU. Missão cumprida.

Vai daí houve alguém que não acreditou na conversa (troika?) e deu com os dentes no Spiegel, especulamos nós.
Aparentemente o défice é de 20 mil milhões, segundo uma notícia do Spiegel citada no Zerohedge.
Ministro das finanças já veio desmentir. Aguardamos pela troika...

Porque é que esta se ausentou compulsivamente da Grécia por uma semana? Não sabemos.

Convêm que os pensadores da futura Federação Europeia comecem a refletir desde já se a Grécia fará parte ou não.
A minha sugestão é esta: NÃO. Pode ser que as probabilidades de fracasso do projeto diminuam,

Tiago Mestre

Se cai a TSU, o que é que se levanta?

A TSU era o mal, a gatunagem transformada em letra de lei, e portanto, era para abater.

Nunca nos debruçámos sobre esta sugestão do governo por julgarmos ser um bocado irrelevante para as contas do Estado. O que eles ganhavam em "tirar" aos trabalhadores talvez perdessem em "dar" aos patrões.
No fim não sei se ganhariam ou perderiam, mas uma coisa era evidente, a queda na procura interna em 2013 e já no final de 2012 seria avassaladora e impossível de reparar. Tal aumento de impostos só traria menos receita fiscal, mas enfim.

Agora que a TSU caiu porque era injusta para a população, aguardamos as novas sugestões do governo e respetivas considerações dos movimentos civis organizados e não organizados.

Não vale a pena contar com os ovos no cú da galinha. Novos impostos virão aí, e porque a distribuição dos sacrifícios deve ser equitativa, segundo a interpretação do TC, só nos resta preparar para o impacto.

Se gatunos foi o adjetivo que ecoou mais nas últimas duas semanas, será que passaremos para a versão "não eufemística"?

Tiago Mestre

Miguel Macedo traz-nos a história da cigarra e da formiga

Caros leitores e leitoras, declarações desta natureza no contexto atual são lenha para a fogueira.

Muitos viverão como a cigarra,
Outros até querem mas não podem,
Outros ainda querem tornar-se formigas mas não há trabalho
e uma boa parte até serão formigas.

Ou seja, cada um é como cada qual, e ninguém tem moral para dizer como se deve comportar o cidadão anónimo. Não conhecemos as motivações e as circunstâncias de cada indivíduo, logo os resultados das suas ações são sempre difíceis de perceber.

O que devemos sim é informar a população de que as suas ações têm consequências, e como tal, devem estar preparadas para assumir as suas responsabilidades.
Liberdade sem responsabilidade gera perversidade nos comportamentos do ser humano.
Não se pode exigir responsabilidade às populações, como sugere Miguel Macedo, se o Estado suporta e patrocina muitos comportamentos desviantes, em que a liberdade é exercida por uns e a responsabilidade dessas asneiras é suportada por outros.

Quando vemos gente a proferir sentenças de como a população se deve comportar, suspeitamos sempre de que o mensageiro julga saber o que é melhor para uns e para outros, sem sequer conhecê-los.
É um exercício recorrente que associa soberba à ignorância sobre como os povos se governam.

Até parece que o governo tem uma agenda escondida para queimar os ministros um a um.

Tiago Mestre

22 de setembro de 2012

Com a CGTP, défice ZERO está garantido

Caros leitores e leitoras, nada como aumentar ainda mais os impostos e combater uma evasão fiscal (25% do PIB) que deriva de uma tributação que já roça os 43% do PIB para que a receita se aproxime num ápice da despesa.

E foi assim mesmo que a CGTP apresentou ao país o plano para angariar mais dinheiro de que o Estado tanto precisa:

- IRC para empresas que faturem mais de 12,5 milhões de euros ao ano: de 25,5% para 33,33%
- Novo imposto sobre transações financeiras
- Sobretaxa de 10% sobre dividendos
- Contratação de mais técnicos para combater evasão fiscal

Et voilá! 5,966 mil milhões de receita adicional.
Problema resolvido. Tudo está bem quando acaba bem.

Às vezes lembro-me da frase do Filipe:
"Era pôr o PS, o BE e o PCP seis meses no governo que isto arrebentava num instante."

Não sabemos se é ingenuidade ou calculismo político da CGTP, mas apresentar estas medidas julgando que os empresários e acionistas nada farão, e aqueles que estavam a pender investir cá continuarão motivados para o fazer é PURA QUIMERA.

O dinheiro que ainda cá mora voará num ápice, ficando oportunidades de investimento espetaculares para o Sr. Arménio, presidente da CGTP e restantes colegas de partido, desde que se cheguem à frente com o capital, claro!
Santa paciência..

Tiago Mestre

Espanha: a UE em ponto pequeno ? (Parte 2)

Novos desenvolvimentos chegaram a público acerca desta "súbita" vontade dos catalães em percorrer o seu próprio caminho.

Num artigo interessante que lemos no Testosterone Pit, a Catalunha, a região mais rica de Espanha, tem que entregar ao governo central todos os anos 16 mil milhões de euros em impostos cobrados na região.

O mesmo se passa com as restantes regiões, contudo, há umas que contribuem mais do que outras, e umas que recebem mais do que outras. (onde é que eu já vi este filme)

Vai daí, o presidente da Catalunha, Artur Mas, inspirado certamente pelos seus concidadãos, e a braços com muitas dificuldades de financiamento, decidiu defender a ideia de que os impostos catalães devem ser distribuídos... pelos catalães, e logo se decide o que sobrará para o governo central e para os restantes espanhóis.

Num país com 25% de desemprego e 50% de desemprego jovem, cada um lutar pelo seu dinheiro não mais deixou de ser uma atitude "isolacionista" ou "separatista", mas antes uma opção de sobrevivência política e social.

E em modo resumido, é este o problema das federações que agregam culturas tão distintas, onde se redistribui o dinheiro dos mais ricos pelos mais pobres.
Nos ciclos de prosperidade, ninguém se importa de ceder qualquer coisa, desde que não falte a quem produziu e ainda ajude quem mais precisa.

No declínio, o dinheiro que sobra é pouco, e se nem sequer chega para a própria comunidade que o produziu, dificilmente se suporta a ideia de se abdicar dele a favor de quem "mais precisa" mas que não se sabe bem quem é.

E se na prosperidade os problemas conjunturais que naturalmente emergem na sociedade são atirados para debaixo do tapete ou atira-se-lhes com dinheiro em cima, no declínio tudo vem ao de cima.
" Chateiam-se as comadres, descobrem-se as verdades"

É por estas e muitas outras razões que a visão de uma Europa federada me parece mais uma miragem do que uma realidade.
Os povos não aceitarão tanta transferência e tanta redistribuição de riqueza das nações mais ricas para as mais pobres.

O canto do cisne da ex-futura federação europeia será o inexorável declínio das exportações alemãs. Sem esta permanente fonte de liquidez e de riqueza, GAME OVER.

Fiquem atentos às notícias da evolução da economia alemã, porque será esta o melhor barómetro do processo federalista europeu.
No Zerohedge já são várias as notícias sobre o declínio da atividade industrial alemã.

Tiago Mestre

21 de setembro de 2012

Blog Jugular - considerações nossas

Temos dado de vez em quando uma vista de olhos pelo blog Jugular no sentido de perceber os argumentos e as ideias de quem sofre fortes influências de correntes socialistas e amizades socratianas.

A prosa dos posts é digna de registar, sobretudo a de Fernanda Câncio, que também escreve para o DN.

Em relação às ideias e à defesa das mesmas, nota-se, como numa boa parte da comunidade blogosferiana, que se recorre sobretudo à ideia feita, à procura das pequenas inocerências dos opositores do PS, à crítica da austeridade sem apresentar soluções alternativas realistas, e posts mais técnicos, ou seja, que falem um bocadinho de números, da matemática subjacente, e de como isso se interliga com a realidade também parece ser uma miragem.

 A inteligência está lá, mas o que faz a diferença é o uso que fazem dela.

No fundo, um blog onde o espaço de opinião serve mais para manipular opinião pública no sentido de promover as ideias irrealistas da esquerda do que propriamente pela vontade de informar e desmistificar tanto conceito errado e tanta desinformação que graça pela imprensa nacional.

E atenção, não temos absolutamente nada conta as ideologias de esquerda, de centro ou de direita. O que achamos é que quem as defende tem que saber refutar as críticas dos outros quadrantes ideológicos e provar que aquele é o caminho mais adequado para o país.

Tiago Mestre

Conselho de coordenação da coligação !

Esta coisa de criar instituições para "reconciliar" coligações desavindas representa o pior da arte da política.

É querer continuar a criar a impressão no povo de que os problemas pessoais e ideológicos de uma equipa política desavinda se resolvem com a criação de instituições.

É paleio estragado, porque os problemas entre 2 pessoas ou 2 equipas só se resolvem se ambas estiverem dispostas a ceder pela força dos melhores argumentos.
Se as divergências já criadas extravasam o plano político e se tornam questões pessoais, podem criar as instituições que quiserem que de nada serve.

E com estas tretas assim lá se vai comprando tempo, dando entretenimento à população por mais uns dias.

Sobre a mensagem do comunicado, é uma mão cheia de nada.

Tiago Mestre

PPP esperam-se 25% mais baratas em 2013

Caros leitores e leitoras, temos acompanhado as declarações do Primeiro Ministro e do Secretário de Estado das Obras Públicas a propósito das renegociações das PPP's, com especial incidência nos contratos rodoviários.

Muitas críticas têm sido dirigidas ao poder político por se ter atrasado na renegociação destes contratos, e em boa verdade o processo começou tarde, mas mais vale tarde do que nunca.

E a fazer fé no que disse Passos Coelho a semana passada à RTP, a poupança esperada para 2013 será de 250 milhões de euros.

Num total de encargos das PPP's de mil milhões de euros para 2013 aprox, cortar 250 milhões representa 25%, e este sim, é um valor que é preciso reconhecer como sendo interessante.

Estes cortes incidirão exclusivamente nas PPP's rodoviárias, que dum encargo estimado de 500 milhões, sofrerá uma redução de 50%, segundo ouvimos ontem do Secretário de Estado das Obras Públicas.
Todos sabemos que muitas estradas que estavam no papel ou que já começaram a ser construídas nunca verão a luz do dia, e a reconstrução de algumas existentes, como a EN125 do Algarve, também não.

A ser verdade, o governo está de parabéns, não só porque teve que resistir às pressões dos lobbies das estradas, como ainda terá que "aturar" muitos autarcas insatisfeitos.

A opinião pública, todos nós, também ainda relutante às informações do governo por ser atirada tanta mentira à nossa cara diariamente, só começará a acreditar quando as contas do Estado começarem a corrigir, mas aí a história é outra:

É que uma poupança de 250 milhões de euros por ano continua a ser muito pouco para o volume de despesa do Estado. Já é qualquer coisa e vale pela intenção, mas não chega.

Escrevemos há 2 dias que só em juros, Portugal pagou mais mil milhões de euros face a 2011, em apenas 7 meses!

E como já várias vezes escrevemos aqui no blog sobre as PPP's, estas têm sido um bode expiatório para criticar o governo de que este nada faz para reduzir a despesa.
A solução não está (só) nas PPP's porque são rúbricas no Orçamento de Estado que caso se reduzam 25 ou 50%, pouco impacto têm no corte da despesa total.

Medina Carreira continua a insistir nesta tecla mas pensamos que já está na hora de aceitar como verdadeiras as informações de Passos Coelho, do Secretário de Estado, e esperar para ver. Se a meta dos 250 milhões para 2013 não for cumprida, então aí haverá novas oportunidades para criticar o governo.

Não obstante, têm saído notícias de que muitos consórcios de empresas rodoviárias que gerem contratos PPP's estão à beira da falência.
E noutros casos, como na empresa EDIFER, o caso é caricato, poque é acionista de alguns desses consórcios, ela própria está ameaçada de insolvência... e recentemente renegociou um contrato PPP com o Estado para se baixarem os valores numa das concessões...!!

O próximo desafio que o governo terá pela frente será decidir o que fazer aos consórcios que irão apresentar insolvência:

1. Caso nada se faça, o que duvidamos, o mais provável é as infra-estruturas ficarem ao encargo da Mãe Natureza, solução que não nos desagrada apesar do impacto ambiental que tal abandono representaria. Politicamente teria um custo muito elevado e os bancos credores ficariam à beira da insolvência.

2. Caso o governo nacionalize estes consórcios, será obrigado a adquirir as dívidas deles, e terá que arranjar mais uns milhões todos os anos para financiar a exploração deficitária destas Auto-Estradas. É evidente que tanto o défice público como a dívida pública sofrerão ainda mais pressão numa altura em que já não há margem de manobra. Por aqui também nos parece complicado.

Agora escolham...

Tiago Mestre

20 de setembro de 2012

Omnia Economicus - papel vs ouro

Caros leitores, numa abordagem mais formal mas não menos incisiva, o Paulo Monteiro Rosa, no seu blog Omnia Economicus, dá-nos a sua opinião sobre a tendência espectável da subida do preço do ouro e da descida do preço do dinheiro. Must read.

Tiago Mestre

Crédito às empresas: Ainda não chega?


Quando as empresas deveriam estar a desalavancar por forma a subir os rácios de solvabilidade e voltarem a recuperar os seus capitais próprios, eis que o crédito continua a jorrar. Sabe sempre bem trocar solvência por liquidez: é como o efeito da droga.

E ainda temos que ouvir todo o santo dia opinion makers e presidentes da CIP, AEP, e outras que tais a pedir mais crédito às empresas.

Já não há pachorra, e para que não haja dúvidas de que a DÍVIDA É O PROBLEMA, E NÃO A SOLUÇÃO:


Sempre que as pessoas do vosso círculo de amigos começarem a chorar com esta história de que o dinheiro não está a ser injetado na economia e que as empresas estão sem acesso ao crédito, "ensinem-nas" de que se o novo dinheiro injetado, por muito que ele seja, der para pagar os juros do "monstro", já não será nada mau, mas para o ano será pior porque haverá mais juros e mais capital para amortizar, e para o outro pior ainda, e por aí fora........

153% DO PIB
Que rácio tão.... amoroso

Tiago Mestre

De Itália, com amor !

Notícia Zerohedge

  • *ITALY REVISES 2012 GDP TO -2.4% FROM -1.2%
  • *ITALY REVISES 2013 GDP TO -0.2% FROM GROWTH OF 0.5%
  • *ITALY RAISES 2012 DEFICIT TARGET TO 2.6% FROM 1.7%
  • *ITALY REVISES 2013 DEFICT TO 1.6% OF GDP FROM 0.5%
  • *ITALY SEES 2012 DEBT AT 126.4% OF GDP, 2013 DEBT AT 127.1%

Recessão inicialmente prevista: 1,2%

Retificação de Setembro:          2,4%  (o dobro!  Percentagem de erro na previsão: 100%)

Recessão final a 31 Dez:           3%    (especulamos nós!)

Ai Monti, Monti, nem imaginas o preço que a democracia italiana teve que pagar para esperar por um suposto Messias como tu:
tanta tecnocracia,
                           tanta credibilidade,
                                                        tanta esperança.

Começou o início da depressão em Itália. Boa sorte!

Tiago Mestre

AICEP acredita no equilíbrio da balança externa portuguesa

Pedro Reis, presidente da AICEP, afirmou hoje aqui:

"Este "anular do défice externo na ordem dos 4,6 mil milhões de euros" contou com a contribuição de metade do crescimento das exportações e metade da redução das importações, o que "dá um sinal de uma correcção saudável".


Queremos sugerir ao Pedro Reis que é melhor ir com alguma prudência neste tipo de conclusões.

 A correção só é saudável do lado das exportações, porque do lado das importações, a correção é deprimente.

E a rapidez a que todos assistimos na queda das importações revela uma tal contração no consumo interno que, contribuindo para quase 70% para o nosso PIB, só pode ser interpretado como fazendo parte do início de uma depressão económica que atravessará este país por bastante tempo.

Nenhum país é sustentável e muito menos "saudável"a contrair 3,3% ao ano no seu PIB, portanto, cuidado com as afirmações.

Não obstante, a correção no défice comercial é importante e necessária, mas tal desígnio só se tornará "saudável" se as importações equivalerem às exportações em período de crescimento e prosperidade, que todos esperamos que ocorra no futuro mais breve possível !

Tiago Mestre

Meu Querido mês de Setembro

A 3 de Setembro publicámos um post onde dávamos a nossa interpretação sobre o que se passou em Agosto e a perspetiva do que se iria passar em Setembro.

Fenómenos como a aprovação do ESM reforçado pelo Tribunal Constitucional alemão e a crença de que Draghi terá o poder de imprimir ilimitadamente reforçaram a minha convicção de que os mercados em Setembro poderiam subir ainda mais.
Tais epifenómenos revelaram-se certeiros e os mercados reagiram positivamente.

Aliás, a partir do dia 6 de Setembro, os mercados reagiram violentamente no sentido ascendente. Ainda só vamos a 20 de Setembro, mas quem comprou ações a 3,4 de Setembro e as vendeu hoje já realizou mais valias expressivas.
Quem investiu está de parabéns, o que não é o nosso caso, por falta de capital!

Estes ganhos em bolsa em nada têm a ver com os fundamentos das economias dos próprios países, ou seja, são hoje os bancos centrais que dominam as espectativas dos investidores. Como já escrevemos no passado, os investidores são hoje mais Fed Watchers do que risk takers.

Desde que as empresas cotadas não caiam na falência e obtenham crédito infinitamente, está tudo bem.


Em 17 dias o índice passou de 5050 para 5337, valorizando 5,6%...   Nada mau!


E qual é a nossa perspetiva para os próximos tempos?

Não acreditamos que este ciclo se mantenha, e porquê?
-  Os estímulos positivos que Draghi, Bernanke e Merkel deram aos mercados durante Agosto e Setembro são tão avassaladores na sua amplitude de impressão de dinheiro que dificilmente poderão apresentar algo ainda mais estimulante daqui para a frente;
- Como uma droga, queremos sempre mais, e começando a passar o efeito positivo do estímulo anterior, só já nos interessa o próximo;

Penso que só há uma forma a sério deste ciclo se perpetuar por mais algum tempo:

É Draghi começar mesmo a imprimir e por em marcha o seu plano de aquisições soberanas OMT (Outright Monetary Transactions), mas para tal, Espanha e Itália precisam de pedir resgate formal, ou então, exercerem um lobby de tal forma intenso em Bruxelas que as isente dessa "chatice" burocrática e política.

Sobre isso só podemos especular, nada mais.

Tiago Mestre

Comissão de utentes de saúde alerta para a extinção do SNS

É correto. O aviso é pertinente porque é real.

Contudo, a comissão equivocou-se no recetor da mensagem já continua a insistir com o governo para que este mude de políticas.

Em vez de tentar alertar o governo, deve antes alertar os SEUS utentes para se prepararem para o que aí vem, adequando as espectativas da população à realidade que temos.

Sugerimos workshops de:
Medicina holística
Medicina tradicional
Medicina do riso
Homeopatia
Osteopatia
Fisioterapia e exercício físico
Yoga
Tai chi, etc, etc

Tiago Mestre

Reserva Federal precisa de fazer shutdown

Caros leitores e leitoras, numa notícia muito bem apanhada pelo Vivendi no nosso blog parceiro a Espuma dos Dias, refere-se que:

 "Ninguém na Reserva Federal sabe como resolver a crise"
e acrescenta:
" O FOMC não sabe realmente o que está a travar a economia"

Sugerimos aos ilustres banqueiros norte-americanos que desçam do 39º Piso e liguem à terra.

Visitem os subúrbios
Visitem Detroit
Falem com os presidentes das Câmaras sobre-endividadas
Falem com as pessoas
Sintam o pulso do Joe, do Tony e dos milhões de americanos cidadãos anónimos.

Não analisem a realidade só pelo que vêem do 39º piso  e pelos fins de semana que passam nas suas mansões em Hampton's.
Evitem as Highways e desloquem-se pelas estradas nacionais para verem o comércio local, as vilas, as aldeias e as indústrias (ou a falta delas).
Esqueçam os restaurantes e desloquem-se aos supermercados para ver o comum americano a decidir porque é que compra o produto A em vez do B.

Talvez depois cheguem à conclusão que perceber o que realmente está a travar a economia não é um modelo passível de ser introduzido no Excel.
Na nossa vida, há tantas variáveis racionais como irracionais, e estas últimas não respondem a impulsos matemáticos, mas sim a impulsos humanos.

Talvez assim percebam que afinal tanto conhecimento e tanto modelo teórico redundaram em fracasso quando decidiram ir para o terreno.
Apaixonaram-se pelo modelo e quiseram (à força) que ele desse certo, ou seja, que a população decidisse como eles gostariam. Não foi assim.

O futuro nunca se realiza como nós o imaginámos.
Quanto mais o PLANO é manipulador e dependente de certos comportamentos racionais que os seres humanos têm que obrigatoriamente cumprir, maior a probabilidade da coisa dar asneira.

É a LIBERDADE individual que acaba por estragar o MASTERPLAN, daí haver tantos adeptos do "condicionamento" dos nossos movimentos.

Mas não é o direito à nossa liberdade que está mal.
O que está mal é a arrogância ideológica, a exorbitância das suas competências e a insolência em reconhecer os erros daqueles que defendem e implementaram o seu Masterplan numa economia e numa sociedade que não é deles.
Experimentassem primeiro o modelo na sua família ou em algo que "possuam", como ratinhos de laboratório, por exemplo. Assim escusavam de passar por esta humilhação.

Tiago Mestre

Comentários...

Estão a chegar comentários esquisitos aos nossos posts que se percebe serem automáticos.

Terei que vos pedir para efetuarem o reconhecimento de letras e algarismos quando enviarem comentários.

Tiago Mestre

19 de setembro de 2012

Paulo Portas falou ontem aos alemães, Vitor Gaspar fala hoje

Eis uma potencial explicação para o que se passou ontem e se irá passar hoje:

Schauble e Merkel, ao "terem mudado de opinião" acerca da impressão de dinheiro por parte do BCE, perceberam que corriam o risco do eleitorado alemão se afastar.
São necessárias "contra-políticas" para atenuar este descontentamento alemão.
E de quem se foram lembrar? Dos tugas, claro!

País simpático, gente afável, protestos pacíficos, clima agradável. Ou seja, uma cambada de parolos que não se importam de serem instrumentalizados.

Então, o que é que os políticos portugueses podem e devem dizer aos alemães?

Segundo Paulo Portas, somos gente honrada e cumprimos o que prometemos, apesar de todos os problemas que surgem diariamente.
Que significa também isto:
Obrigadinho por nos terem emprestado o dinheirinho porque vai valer a pena. Saúde para todos é o que desejamos.

E pronto, ontem foi uma marioneta, hoje será outra.
Lamentamos aqui no Contas que tal plano tenha sido concebido e que os políticos portugueses tenham participado de corpo inteiro. Para agravar este plano instrumentalizador, o discurso, como seria de esperar, é tudo menos uma aproximação à realidade.
É um conjunto de inverdades que relevam os aspetos positivos e omitem o desastre que tem sido o plano de consolidação orçamental.
Quando as coisas não correm bem devem ser referidas como tal.
É assim que os verdadeiros líderes se comportam, como foi recentemente com José Mourinho ao assumir as responsabilidades pelas derrotas do Real Madrid.

Mas não, insistem neste churrilho de inverdades e esperanças irrealizáveis, tudo patrocinado por Schauble e Merkel que não têm pudor em instrumentalizar o seu eleitorado recorrendo à instrumentalização dos políticos portugueses que coitadinhos, só têm a agradecer aos alemães pelo dinheirinho que emprestaram e que tanta falta nos faz.

Talvez Merkel e Passos Coelho desconheçam a cultura alemã, e por isso esquecem-se que esta reage de forma bem diferente à cultura portuguesa quando percebe que lhe estão a mentir e a tomá-la por "parva" para que certos fins sejam atingidos. O limite da paciência deles é diferente do nosso.

São estes comportamentos da elite europeia que me aborrecem solenemente, refletindo a falta de caráter e a falta de VIDA vivida por parte destes senhores e senhoras. Estas mentirinhas dão sempre asneira no futuro. É um clássico, mas como não têm coragem de alterar comportamentos, repetem sempre os mesmos erros.

Daí o meu ceticismo e o meu pessimismo (um bocado exacerbado) em relação a este gente, ao contrário  do Vazelios e do Carlos Antunes, que são um pouco mais "indulgentes"..

Tiago Mestre

Estudantes de Engenharia Eletrotécnica estão de parabéns

A convite do comissão organizadora do evento ENE3 (Encontro Nacional dos Estudantes de Engenharia Eletrotécnica), foi-me solicitado que efetuasse uma palestra sobre um tema à minha escolha na manhã do passado dia 7 de Setembro na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde também me licenciei em 2003.

Estruturei a palestra da seguinte forma:

Economia e Finanças Públicas portuguesas
Cultura e História Portuguesas
Soluções para os nossos problemas
Energia
Alteração de hábitos e comportamentos
Perspetivas de Futuro

Sendo uma palestra com um tema muito abrangente e pouco relacionado com a Engenharia Eletrotécnica, havia o receio de que a "coisa" não pegasse.
Mas para espanto meu, muita gente se deixou cativar e após a palestra muitas foram as perguntas colocadas, tendo a conversa com alguns alunos durado até depois da hora do almoço

Surpreendeu-me o grau de conhecimento que muitos alunos já possuem sobre estes assuntos, nomeadamente as consequências de imprimir dinheiro, keynesianismo vs austeridade, etc, etc.

Fico ainda mais confiante de que teremos as pessoas certas para os desafios complexos que teremos pela frente.

Tiago Mestre

Ó Jens, não desistas... já!

                                                              Jens Weidmann
                                                                 Presidente Bundesbank



Nada como recorrer à história e literatura germânicas do século XIX para que Jens Weidmann ridicularize Draghi, com nada mais nada menos do que a obra-prima de Goethe: Fausto.

Até um jornalista de economia da CNBC consegue perceber os paralelismos criados, pelo que merece a transcrição da sua interpretação sobre esta linda comparação da autoria de Jens Weidmann, o último moicano:

In early scenes from Goethe’s tragedy, Mephistopheles persuades the heavily indebted Holy Roman Emperor to print paper money – notionally backed by gold that had not yet been mined – to solve an economic crisis, with initially happy results until more and more money is printed and rampant inflation ensues.

Tiago Mestre

CTRL + P (Parte 2)







O mundo está finalmente convencido de que é na impressão que reside a solução.

Os media internacionais "legitimados" já nem sequer relevam os aspetos negativos deste tipo de operações.

Se Ben e Draghi dizem que vão imprimir e que não há problemas com isso, então toca de publicar a informação sff.

Tiago Mestre

18 de setembro de 2012

CTRL + P


Ben e Draghi não querem outra coisa.

É melhor que o I'Pad com capa de cortiça

Tiago Mestre

Obama e Romney - duas caras da mesma moeda

Obama quer proteger tudo e todos, inclusivamente exigir aos empresários que adquiram seguros de vida que incluam métodos de contraceção para os trabalhadores do sexo feminino. !

Romney considera que Obama anda a abusar das garantias do Estado para com os cidadãos, mas não o diz às claras, só às escuras. Teve azar (sorte) porque alguém filmou este jovem pastor a referir que a malta do Obama só gosta dele porque beneficiam do Estado para tudo.

Obama já veio referir que Romney desdenhar de 50% da população daquela forma não é coisa que se faça.

Romney já veio pedir desculpa pelo que disse.

É tão mau Obama promover o Estado Social a todo o custo como Romney dizer às escondidas o que sente e arrepender-se depois de saber que estava a ser gravado.

Não nos surpreende, mas não queríamos deixar de referir mais um episódio que reflete a decadência moral a que o Ocidente chegou.

Até Novembro vai ser este o circo.

Tiago Mestre

Síntese orçamental de Agosto: novas conclusões

A 10 de Setembro publicámos um post com a síntese orçamental do Estado até Julho 2012:


Contudo, "escapou-nos" um valor que agora sublinhámos a preto: "Transferências de Capital"

Nesta rúbrica, em 2011 íamos em 942 milhões, mas em 2012, milagrosamente já vamos em 3,268 mil milhões. Tal aumento não é normal. Fomos à procura da justificação no boletim e encontrámos isto:


Conclusões rápidas:

Foi a transferência dos fundos de pensões que deu este enorme balão de oxigénio
O aumento de impostos revelou-se infrutífero - curva de Laffer - a receita ordinária manteve-se
A despesa manteve-se acima dos 40 mil milhões, pior do que em 2011

O que nos leva a uma conclusão mais grave:

Não fosse este incremento dos fundos de pensões em 2012 e o défice andaria pelos 5,5 mil milhões de euros, contrastando com os 5,2 mil de 2011.

A tal AUSTERIDADE de que todos se queixam ainda nem sequer saiu da igreja.
O esforço de consolidação orçamental AINDA não começou!

E perguntamos nós:
Com tantos cortes nos salários, nos subsídios, nas reformas e outras coisas que tais, como foi possível a despesa ter aumentado?

Resposta:
Os JUROS. Em 7 meses o acréscimo foi na ordem dos mil milhões de euros, de 3,3 para 4,3 mil milhões, equivalente ao custo do Ministério da Justiça um ano inteiro:



É esta a realidade com que temos de nos confrontar, quer queiramos quer não.

E para 2013 as coisas complicam-se MUITO para Vitor Gaspar, na medida em que estes 2,6 mil milhões de receita extraordinária já lá não estarão para o ajudar. É preciso começar tudo de novo e voltar a arranjar 2,6 mil milhões só para começar no mesmo ponto de partida de 2012.

Para cumprir os 4,5% do PIB em 2013, o governo terá que atingir um défice na ordem dos 7 mil milhões de euros.

Vitor Gaspar está entalado porque os sucessivos governos desde o 25 de Abril fizeram do Estado uma máquina de redistribuição automática de dinheiro, mas sem ter dinheiro no cofre. Os tais mecanismos de "estabilização automática":
- Se alguém cai no desemprego, o Estado patrocina
- Passam menos carros do que o contratualizado na AE, o Estado patrocina, e por aí fora.

Tudo medidas bonitas no papel, mas que só funcionam nos ciclos de prosperidade económica.

Acreditamos que a quebra das receitas ordinárias em 2013 fará história na economia portuguesa, mesmo que a medida de aumento da taxa de SS volte à estaca zero.

O medo já se instalou.

Tiago Mestre

Rehipotecação

Poucas vezes falámos aqui no Contas acerca do fenómeno de rehipotecação bancária, contudo, para os leitores mais atentos, este fenómeno já corre nos meios de comunicação mais alternativos.

Basicamente, a rehipotecação é um fenómeno que consiste em abusar da confiança de alguém.

Quando pedimos um empréstimo, o banco pede-nos garantias, fiadores.
A hipoteca da casa é o caso perfeito em que é a própria casa que serve de garantia ao empréstimo.

Caso a devedor deixe de pagar o empréstimo, é a casa que lhe é sacada, liquidando assim a delinquência.

Nos meios bancários, é recorrente que a instituição A exija garantias à instituição B quando está disponível para lhe comprar dívida.
E normalmente, essas garantias traduzem-se em ativos detidos pela instituição B e que possuem um determinado valor.
São os ativos que servem de hipoteca ao empréstimo.

O problema da rehipotecação é este excesso de confiança do devedor em recorrer aos mesmos ativos para servirem de garantia a empréstimos que obteve de credores diferentes.
Como o devedor não está à espera de se tornar delinquente em nenhum deles, e muito menos nos dois, rehipotecar não tem problema, certo?
Pois, até ao dia em que se torna mesmo delinquente por razões "alheias" à sua vontade.

Em certo sentido os Estados já fizeram isto quando abandonaram o padrão-ouro, na medida em que era o próprio ouro que servia de garantia às notas em circulação.
O ouro foi substituído pela dívida emitida pelos próprios Estados.
E como se tornou essa dívida tão atrativa aos olhos dos investidores ao ponto de ainda ser considerada tão interessante como possuir ouro?
Porque rende uma determinada taxa de juro (melhor do que o ouro) e porque há uma confiança no sistema monetário que faz as notas e as moedas serem aceites em qualquer lugar. Para tal, o banco emissor deve cuidar da sua emissão e não abusar desse poder, evitando a todo o custo a sua desvalorização.

No papel o plano parece perfeito. O problema é quando passamos para o terreno. O resto é história.

Os privados, inspirados por este sistema aparentemente fantástico e com poucos custos associados (tb aparentemente), viram que poderiam obter múltiplos créditos, expandir negócios, multiplicar lucros, e em última análise, enriquecer arriscando cada vez mais.
Mas esqueceram-se que tal fenómeno é FRAUDE. Lá porque o Estado o faz e o mascare de legal, o mesmo não se aplica ao privado.
Reportar o mesmo ativo como colateral em mais do que uma operação financeira é fraude.
E pior ainda é apresentar como garantia certo tipo de ativos que nem sequer estão na sua posse, como metais e outros, bastando para isso forjar a existência de armazéns e faturas que comprovem que o produto está mesmo lá.

Na China começam agora a descobrir estas mega-fraudes em que muitos empresários pediram empréstimos a bancos, tendo declarado certos ativos como colateral que nunca existiram. Agora que a economia afroxou e os empréstimos entraram em delinquência, os bancos sacaram as garantias e foram a ver, não havia lá nem aço, nem cobre, nem nada daquilo que o devedor tinha comprovado que tinha.
Ver notícia no ZeroHedge

A rehipotecação é fenómeno frequente nos grandes bancos financeiros mundiais, sendo os produtos derivados ETF's (exchange traded funds) que transacionam metais preciosos uma bomba pronta a rebentar.

Basicamente os ETF's são praças virtuais onde podemos comprar ouro, prata, petróleo e outras commodities, usando os preços das praças de referência (reais) como Londres, Chicago, etc.

Nestas praças virtuais, o detentor destas commodities nunca chega a possuir o bem propriamente dito. Possui um comprovativo (receipt) desse mesmo investimento.
Como os investidores não têm grande interesse em possuir a commoditie, raramente a solicitam sob a forma física.
O gestor da ETF, sabendo desta evidência e sabendo que lhe custa dinheiro possui-las, acaba por não possuir nos seus cofres todas as commodities que vendeu nos comprovativos.
A esquema funciona bem, uma, duas, três vezes, até chegar um dia em que não funciona.
Quando muita gente ao mesmo tempo quiser resgatar o ativo, este não estará lá em quantidade suficiente. O resto é história.

Com os depósitos dos bancos passa-se coisa semelhante, na medida em que o dinheiro depositado pelos clientes é um passivo para o banco. Tem que ser remunerado a uma certa taxa de juro e custa dinheiro tê-lo lá na totalidade. A tentação é ter só uma parte, já que raramente o pessoal vai lá todo de uma só vez para o sacar.
Como houve uma alminha que resolveu estudar este fenómeno no século XIX, chegou-se à conclusão de que apenas 10% da população usava o dinheiro em simultâneo. E pronto, estava tecnicamente justificada a imoralidade que alimentaria o setor bancário até aos dias de hoje.
E suspeitamos que com o advento dos cartões de débito e das transações eletrónicas, menos dinheiro precisou de ser impresso e menos custos os bancos precisam de ter.
São os bancos que mais ganham com esta história do dinheiro eletrónico.

O fenómeno da rehipotecação não é coisa nova, mas antes uma adaptação para o setor privado de uma aldrabice que há muito fora aperfeiçoada no público.

Tiago Mestre

17 de setembro de 2012

Tribunal Constitucional = DECO

O Tribunal Constitucional tornou-se hoje em dia na DECO dos ilustres cidadãos que não concordam com a austeridade.

Aumentar os impostos?  Inconstitucional
Cortar nas reformas?     Inconstitucional
Cortar nos salários?       Inconstitucional

Perguntamos nós:

Que medidas legais e constitucionais estão ao dispor do governo para que consiga reduzir a despesa em, pelo menos, 10 mil milhões de euros? Já nem falo nos 30.

Resposta:
Aparentemente, poucas ou nenhumas. Era nas "gorduras" que residia a esperança na resolução dos problemas. Cortar nos carros, nos deputados e nas PPP's ajuda, mas em termos relativos é residual.

Pergunta:
E para quando a alteração da Constituição?

Se repararem, não ouvimos ninguém (corrijam-me se estiver enganado) da esquerda à direita, de opinion makers a economistas, passando por jornalistas, a sugerir esta ideia.

Que tem ela de tão estapafúrdio que nos está a escapar à compreensão?

Tiago Mestre

Queremos continuar em Portugal ou não? (Parte 3)

Fruto de uma discussão muito proveitosa entre o Carlos Antunes , o Filipe Silva e eu, gostaria de deixar aos leitores um resumo do que foi escrito para que, em consciência, possamos considerar quais os argumentos mais fortes ou mais relevantes, ajudando assim à formação da nossa opinião:

Carlos Antunes:
- Os povos têm dificuldade em compreender o projeto europeu e suas vantagens
- A Europa está unida como hoje a conhecemos devido à boa intenção e visão de fundo dos políticos que temos e tivemos, corrigindo as vistas curtas dos povos
- Políticas de planificação centralizada e demasiada regulação não são desejadas
- A Europa precisa de se afirmar como uma potência à escala mundial que compita com as restantes
- Transitar uma despesa de 50% do PIB para 30% do PIB é desejável, mas realisticamente difícil de atingir, a não ser de forma muito gradual.
- Alemanha prefere prestar assistência aos fracos para manter a coesão mínima,e com isso fazer frente aos EUA que tudo fazem para tirar os holofotes das desgraças internas. Pelo meio a alemanha impõe austeridade para que se certifique de que estes sofrem e se ajustam tanto quanto for possível.
- A Europa fragmentar-se agora é um tiro no pé, e a Catalunha ao sugerir esse tipo de desígnios apenas se sente seduzida pelo caminho mais fácil
- Imprimir de forma controlada é melhor do que não imprimir, na esperança de que imediatamente antes da irreversibilidade se desliguem as impressoras.
- Atacar a dívida e sermos nós próprios a resolvê-la (austeridade a 20, 30 anos) é demasiado penoso para a nossa economia e no fim arriscaríamos a que os mercados não nos dessem a credibilidade desejada
- Nigel Farage joga em dois tabuleiros políticos: do UK e da Europa, fazendo tudo para descredibilizar o projeto Euro e a própria União Europeia

Filipe Silva:
- Planificação centralizada e excesso de regulação são a causa da estagnação económica
- Mercado pode fazer tudo aquilo a que o Estado se propõe a fazer
- O que a UE já faz: planificar e legislar em Bruxelas nas costas dos povos é já planificação centralizada
- Despesas a 30% do PIB é muito, devem ir, no máximo, a 20-25% (se não me falha a memória)
- É na diferença que evoluímos, ao contrário da hegemonia que a UE nos propõe como solução para uma Europa mais forte e coesa
- A classe política pensa muito mais nos seus interesses pessoais/grupo do que no eleitorado
- O projeto Euro tem pernas para andar, e pode muito bem funcionar como padrão ouro, se usado corretamente e sem interferências estatais
- Alemanha não está para ajudar hoje e repetir a dose daqui a 10 anos só porque os países mais fracos nada fizeram. PIGS ganharem competitividade é-lhes irrelevante.
- Regressar ao escudo é entregar a moeda ao poder dos políticos e aos seus desejos ilimitados de impressão e de desvalorização para pagar contas e inflacionar silenciosamente os preços.

Tiago Mestre:
- Os povos europeus construiram-se nas suas semelhanças e nas suas diferenças, tendo definido as suas fronteiras com sangue suor e lágrimas.
- As culturas que se desenvolveram são suficientemente diferentes na língua, nos costumes, na relação entre os pares, etc, que qualquer aproximação forçada entre estas deve ser muito cuidada, recuando sempre que se vislumbram choques.
- As culturas não mudam na escala temporal que a UE deseja, e ao implementarem projetos que forçam uniões entre culturas, logo à partida enferma desta má análise da realidade.
- A liberdade dos povos para errarem ou acertarem, se separarem ou miscigenarem é mais importante do que a sua obediência às políticas de elites que julgam saber o que é melhor para nós.
- A UE e o Euro nasceram com boas intenções. Mas o terreno está a mostrar que entre a nossa vontade e realidade vai uma grande distância, e para a encurtar, os políticos não olham a meios para atingir os fins.
- Se não fossem os credores a dizer basta, ninguém teria lançado os alarmes e hoje os deficits continuariam a roçar os 9 e 10% do PIB.
- A elite política precisa de mentir diariamente para que a coesão não se perca
- Fizeram e promoveram as asneiras e pedem-nos agora para as corrigir e liquidar, dizendo ao povo que são eles mais uma vez os salvadores da situação. Basta que confiemos na sua ilimitada sabedoria.
- A tática do dia-a-dia prevalece à estratégia do longo prazo, adiando-se sucessivamente as decisões difíceis
- Ajudar países como Portugal com mais dinheiro emprestado só promove mais dívida e juros exponenciais. É a rúbrica mais pesada ( 8 mil ano) sem contar com a SS (37 mil ano)
- O ajustamento da despesa e da receita para 30% do PIB é uma inevitabilidade. Pode ser pela hard way (em 3 anos), que eu prefiro, ou pela soft way (10, 20 anos), mas de uma maneira ou de outra isso irá acontecer
- O ajuste para 30% do PIB será catastrófico para as estruturas económicas e sociais existentes, contudo é um caminho que julgo valer a pena percorrer para que a sociedade portuguesa renasça novamente e se despegue das múltiplas influências que a Europa nos tem impingido desde o século XVI com a inquisição, a Renascença, o absolutismo, o protestantismo, o comunismo, as ditaduras, as democracias, os parlamentos, e sei lá que mais.
- Nenhum destes regimes/ideologias verdadeiramente nos serve e pelo caminho já nem nós próprios sabemos que regime é mais adequado à nossa maneira de ser e de estar. Teremos que escavar bem fundo no tempo para o encontrarmos.

Perdoem-me os dois se deixei alguma linha de raciocínio de fora ou se interpretei mal alguma ideia.

Tiago Mestre