30 de abril de 2012

Dêem à austeridade uma chance: vá lá! (2º Post: Itália)


Italy
The chart for Italy is much more interesting and may also may make it less clear that austerity is such a bad thing.

Italy started the 21st century with a high debt load.  They took that debt load down over a period of years.  Initially it dragged GDP down, but then it seems like it supported a fairly stable economy.  It didn’t grow at a great rate, and they did seem to try and take spending and debt down during period of above 2% growth.  2008 was a disaster for Italy, as in most other countries.  Debt to GDP skyrocketed.  It wasn’t because of “austerity” it was to spark growth and stop the slowdown.  It kind of worked, as Italy managed to bounce back to decent growth (along with the rest of the world), but the debt level had shot up to incredibly high levels.  The slowdown in Italian growth began in 2010 and there was not a word about Italian austerity in 2010.  In fact, there wasn’t a word about austerity that had any actions associated with it until Berlusconi left office.  But by then Italian growth was anemic. Is the dip into recession all the fault of austerity, or did Italy spend too much and not take enough constructive measures in 2008 and 2009?  It looks like they spent far too much on “growth” in that period and are now paying the price.
Maybe Italy needs to look back at what created that period of stability from 2002 until 2007, and determine that a lower debt to GDP ratio is preferable, because the alternative is unsustainable.  Once again, after a few years of aggressive spending to get as much growth as possible, that has since failed to achieve sustainability, the politicians should be careful about assuming the current slowdown is all about austerity and not about past “growth” decisions gone horribly wrong.

Dêem à austeridade uma chance: vá lá! (1º Post: Portugal)

Caros leitores e leitoras, num artigo quase brilhante de Peter Tchir da TF Market Advisors no Zerohedge, este informa-nos sobre os problemas desta nova (velha) onda ideológica que assolou a Europa de que a Austeridade é má e o Crescimento é que é bom. Nada como um bom maniqueísmo para salgar as coisas.
O artigo analisa em retrospectiva o PIB e a dívida pública a 3 países da Europa entre 2000 e 2012.

Temos dado a maior importância a este tema do Crescimento vs Austeridade aqui e aqui.

O artigo está em inglês. Caso tenham dificuldade em compreendê-lo, façam um comentário e poderemos traduzi-lo. E por ser extenso dividi-mo-lo em 3 posts:
1ª Post incide sobre Portugal; 2º sobre Itália; 3º sobre Espanha.


Give Austerity A Chance: Growth Spending Failed
The markets may decide to play along with the renewed talk of growth and the death of austerity, but it is shocking how quickly writers and the media have latched on to the idea that growth will somehow save us and that the entire problem is the fault of austerity.
Although it seems like it has been around for awhile, austerity is fairly new.  I don’t think Greece even got nailed with austerity until May of 2010.  In September 2010 when EFSF and ESM were first officially launched, Portugal and Ireland were both contributing members.  The first time austerity was mentioned in Spain and Italy had to be the summer of 2011, if not later?
Until that time, I assume growth was part of the policy of most countries?  I find it hard to believe any country engaged in an anti-growth policy?  Was not every policy in Europe, up until at least 2010 if not beyond, actually a “growth” policy?  Why did they fail to create enough growth to stop the debt crisis?
Ah, that is the other problem.  It isn’t just growth that is needed, certainly not to comfort the bond market, it is growth that surpasses the amount spent (borrowed) to create it.
Portugal
 
So Portugal has been mired in weak economic growth since 2001.  It spent most of the decade with growth between 0 and 2% and had two significant downturns.  The entire time, debt to GDP was increasing.  Was Portugal not “spending” the entire low growth period from 2003 until 2008?  It is possible that they kept “spending” to get some “growth” KNOWING that in the future things would be better?
This period is important.  There was low growth, yet the debt was increasing at a faster rate.  Why? The best guess is that they were spending trying to achieve better growth.  It didn’t work.  2008 hit, and growth was a disaster, which led to even more spending, but then growth slowed and took a turn for the worse, even BEFORE austerity hit.
The spending bubble to get through the 2009 period, aided by the global turnaround, failed to create sustainable growth.  Portugal was already seeing their economy deteriorate before austerity came into play.  Why?  Because the debt burden had grown so large that a country with a weak, deficit inflated economy couldn’t afford to maintain.
Has austerity made it worse?  Possibly, but the economy did worse in 2009 than it is doing now, so we shouldn’t underestimate Portugal’s ability to outperform to the downside.  Peopled seemed comfortable spending for 10 years with minimal results, but a year into austerity (amidst a global slowdown), and suddenly austerity is bad?  Portugal took a decade to judge that spending was not achieving growth, and in about a year has decided to go back to that?
And yes, austerity does have a near term negative impact to growth.  That was known going into it.  In fact it is basic math, so expecting cuts not to result in some economic slowdown is either the result of naivety or being too lazy to do some basic math on GDP calculations.  Some austerity measures have a bigger near term impact than others, but to expect no impact, especially in a weak global economy is just wrong.  The key is what the situation will be like in a year.  Yes, a year is a “long” time, but still, why are we so quick to judge?
On Portugal, it looks like spending to achieve growth failed miserably, and possibly caused the problem, and the rush to the conclusion that somehow austerity is to blame seems premature if not completely incorrect.

Contas Caseiras - informar para formar

Ficamos sempre satisfeitos quando o Contas Caseiras é reconhecido pela blogosfera.

http://vivendi-pt.blogspot.pt/2012/04/historia-da-crise-do-euro.html

O Blog Espuma dos Dias pela mão do seu autor, Vivendi, tem sido um incansável divulgador do Contas. Muito nos apraz e muito agradecemos.

O lema é:
"Informar para formar" uma consciência mais lúcida e menos susceptível a aldrabices!

Tiago Mestre

Como certos investidores olham para nós...

É isto que a Morgan Stanley conclui sobre a evolução de Portugal neste contexto de ajuda externa:

http://www.zerohedge.com/news/dont-forget-portugal-ms-sees-second-bail-out-september-bail-follow

Mais vale moderar espectativas!

Tiago Mestre

... cada vez mais dependentes do BCE

Cortesia do banco UBS, remetemos abaixo um gráfico que indica os bancos mais expostos ao financiamento do BCE em percentagem dos seus ativos.:



Ou seja, os bancos que mais "desligados" estão do circuito interbancário de empréstimos.
A evolução do valor das ações destes bancos nas bolsas de valores certamente que já reflete esta fragilidade.
Portugal apresenta 2 bancos no TOP4.

Tiago Mestre

29 de abril de 2012

UE já sabe como pôr as economias a crescer: (ainda mais) planificação centralizada!

Se bem nos recordamos, foi há 2 meses que Durão Barroso pediu aos governantes que delineassem um plano para o combate ao desemprego dos jovens nos seus países de origem. Esse plano foi ou será ainda apresentado à Comissão Europeia, tendo em vista o desbloqueio de algumas verbas europeias com certeza. No entretanto o desemprego entre os jovens europeus continua a subir, com ou sem verbas europeias

Hoje fomos novamente bafejados com mais um plano europeu, concebido nos escritórios de Bruxelas, tendo em vista um novo pacote de estímulo às economias europeias, sobretudo do Sul da Europa.

Nós compreendemos que a classe política "tem que fazer qualquer coisa" para justificar o posto e remuneração. Sem isso as suas vidas políticas eclipsavam-se no momento seguinte, sobretudo neste contexto em que o planeta e 500 milhões de europeus em particular suplicam por qualquer medida vinda de Bruxelas.

Mas o que verdadeiramente lamentamos é a ausência de reconhecimento por parte da elite política no que toca à eficácia destas medidas. Continuam a insistir que o planeamento centralizado é o mecanismo adequado para colocar as economias mais débeis em crescimento. Não aprenderam e devem ter raiva a quem percebeu:

1. O fracasso dos fundos de coesão nos anos 80, 90 e 2000 - Portugal é um caso paradigmático;

2. A gigante bolha imobiliária com chancela do governo norte-americano de George W Bush em resposta à recessão que procedeu da bolha dot.com no final da década de 90;

3. O mega pacote de estímulo em 2009 de Barack Obama, também em resposta à bolha imobiliária que rebentou em Outubro de 2009, que redundou em mais dívida;

4. Os 3 resgates concedidos à Grécia, a Irlanda e a Portugal, e mais recentemente o 2º à Grécia, em que cada um deles representaria o estancar da hemorragia nesse mesmo dia, segundo declarações de TODOS os dirigentes políticos à época;

5. A injeção de liquidez pelo BCE aos bancos privados europeus, através dos planos LTRO e SMP.

6. Que a economia é sempre função da energia, e que a energia advêm dos recursos naturais e humanos da região. Não é manipulando o euro, as taxas de juro e endividamento sem regra que se "descobre" mais energia..

Com tantas provas dadas de planeamento central falhado, o orgulho e a pressão do dia-a-dia impedem a elite política de ser humilde e reconhecer os erros. Aliás, para muitos políticos isto são testes, provas de esforço a que o projeto europeu se tem que sujeitar para continuar a sobreviver!

A vontade dos políticos europeus permanece firme, mesmo com as evidências do passado e com um novo problema: a falta de dinheiro na Europa.
Conceber engenharias financeiras que roçam a ilegalidade e a fraude económica são os novos desafios que se colocam às elites europeias.
À miopia ideológica junta-se a ausência de princípios morais e éticos:

Aparentemente querem alavancar o BEI - Banco Europeu de Investimentos - ou seja, com uma pequena injeção de capital social pelos países europeus (10 mil milhões de euros), pretendem alavancar esse valor para 60 mil milhões junto de potenciais bancos credores, e em parceria com empresas privadas, tipo Siemens ou Alstom acreditamos nós, se chegue aos 180 mil milhões. E já agora, porque não 500 mil milhões, ou 1, 2, 100 ou 1000 triliões de euros... pick a number!

E com tanto dinheiro dívida, toca de planear nos gabinetes: desenvolvimento de infra-estruturas, energias renováveis e tecnologia.
Parece que o fantasma ideológico de Sócrates não só está vivo como se recomenda em Bruxelas!

O pessoal político ainda não percebeu que a dívida é o problema, que nos fez estar levitados da realidade durante tanto tempo, desafiando as leis da gravidade. É disso que os mercados têm medo, daqueles que estão excessivamente endividados face à sua capacidade de gerar riqueza. Trazer ainda mais dívida a troco de uns projetos tipo TGV e Eólicas que darão pouco ou nenhum impulso às economias mais frágeis é enervar ainda mais os investidores, que já desconfiam destas políticas tipo tigre-de-papel.

A notícia é avançada pelo jornal espanhol EL PAIS, que apelida esta programa de "Ressurreição da Europa".
Vale a pena ler por ser mais um exemplo de mau jornalismo: Amplifica tudo aquilo que os políticos desejam sem escrutínio algum.

Com esta pobreza jornalística e a vontade insane da elite política em querer fazer qualquer coisa, o circo da manipulação grosseira e do ilusionismo não pára de nos presentear com novos truques.

Tiago Mestre

Juiz decide substituir-se aos contratos livremente assinados

Caros leitores e leitoras, esta notícia ontem revelada foi objeto de ponderação aqui no Contas, pelo que tentaremos demonstrar o melhor possível o nosso ponto de vista:

Notícia:
Juiz de Portalegre atribui a entrega da casa ao banco como forma de liquidação da dívida no caso do devedor entrar em incumprimento.

Desconhecendo nós os motivos que levaram o juiz a decidir desta maneira, consideramos que uma decisão destas é:

1. Incorreta porque o juiz toma partido do outorgante que falhou com as regras do contrato livremente assinado entre as 2 entidades. A justiça deve defender quem cumpre e punir quem prevarica. Se foi o devedor a prevaricar deve ser acionado o procedimento judicial que permite ao credor tentar obter por meios legais o que lhe é devido, neste caso o imóvel ou qualquer outro bem na posse do prevaricador. E caso não haja nada para arrestar, então aí é o credor que sofre as consequências por ter emprestado com pouca ou nenhuma cautela.
O devedor sabia que caso vendesse a casa ao banco teria que negociar o valor dessa venda e pagar o remanescente na hipótese de esta se ter desvalorizado.
Um juiz que decide a favor do prevaricador só pode considerar-se "acima da lei" ou acima da legalidade de contratos livremente assinados.

2.Imoral porque transmite à sociedade uma noção de proteção e impunidade pelo sistema judicial para com os prevaricadores. O que pensar de todos aqueles que contraíram empréstimos e que estão à rasca ou não para pagar a prestação mensal? Este é um sinal errado do sistema judicial para a sociedade, na medida em que muita gente poderá agora abdicar dos seus pagamentos sabendo que nada lhes acontecerá, à exceção que a casa será entregue ao banco.

3. Perigosa porque os bancos credores terão que se adaptar à potencial barragem de créditos delinquentes e imóveis que lhes espera, adoptando estratégias de sobrevivência como a subida de spreads a toda a gente ou a inserção de novas taxas de "gestão de conta" e demais extravagâncias administrativas. Paga o cumpridor pelo prevaricador.

Este é um tipo de decisão que numa análise superficial até nos faz "sentir bem", porque sabemos que os bancos jogaram com as espectativas de prosperidade da população durante 10 ou 15 anos e ganharam muito dinheiro com isso, pelo que um pouquinho de vingança à posteriori até não fica nada mal.

Mas numa análise mais profunda compreendemos que há um enorme risco moral no meio disto tudo, que não se revela para já, mas que vai corroendo os fundamentos de qualquer sociedade: a quebra das relações de confiança.

Moral Hazard, como já escrevemos aqui no Contas.

Tiago Mestre

28 de abril de 2012

União de Leiria - um dos muitos maus exemplos da classe empresarial portuguesa

Caros leitores e leitoras, temos ouvido ultimamente declarações da direção do União de Leiria, pela voz do seu presidente demissionário, João Bartolomeu, que assustam qualquer alminha mais arreigada a valores mínimos de decência.

... sobre a vontade coletiva dos jogadores em querer rescindir o contrato de trabalho com o clube por atraso de 4 meses no pagamento dos salários, eis as brilhantes declarações do presidente demissionário:

"...Não percebo essa atitude por parte dos jogadores. O U. Leiria não é o único clube com salários em atraso."

Para quem nos lê e tem pouco contacto com a classe empresarial portuguesa, é bom que "acorde" e perceba a falta de escrúpulos e de sentido ético que graça nesta classe.

Não se assustem com esta afirmação. Sempre foi assim nesta classe, contudo, em períodos de prosperidade, todas estas falhas morais eram compensadas pelo aumento e pela transferência de riqueza por toda a hierarquia. Todos estavam felizes. Só em períodos de declínio económico é que estes comportamentos se revelam em todo o seu esplendor, qual icebergue que vê o nível de água diminuir.

Ainda hoje o presidente do sindicato dos jogadores relatou no jornal da TVI que a União de Leiria recebeu esta semana avultadas quantias de dinheiro fruto de negócios previamente firmados e nem uma palavra sobre o destino dessas verbas. Para pagar salários em atraso é que não foi. Chegou a sugerir que estas transferências financeiras eram mais um caso de polícia do que outra coisa.

A má moral e a ausência de regras na gestão de clubes de futebol foi sempre uma constante, e para mal dos nossos pecados, essa má moral foi sucessivamente premiada pelos nosso governantes, concedendo toda a espécie de perdões fiscais como o plano Mateus, o esquema do totonegócio, a denominação coletiva de SAD's, etc, etc.

Sem termos provas, acreditamos que a gestão destes clubes por sucessivos dirigentes ao longo de décadas serviu de fachada para muitos negócios duvidosos a par de uma vontade insane de querer obter melhores jogadores recorrendo a um conjunto de mecanismos financeiros que certamente envergonham muitos consultores de grandes bancos de investimento mundiais.

E qual foi o resultado de toda esta extravagância criativa?

1. 80% dos clubes estão atrasados no pagamento de salários, segundo palavras do presidente do sindicato
2. O atraso no pagamento de impostos ao Estado deve seguir a mesma percentagem, especulamos nós.
3. Clubes como o Sporting, com capitais próprios negativos ainda estão no ativo, quando já deveriam ter declarado insolvência e consequente nomeação de administrador judicial.

Ainda esta semana a SAD do Sporting voltou a "pedir" aos sócios que aprovem mais um empréstimo de 120 milhões de euros que cubra dívidas anteriores, respetivos juros, prejuízos do exercício de 2011 e certamente dos deste ano e de próximos. O SPORTING já nem deveria existir com a atual estrutura societária. Ou alguém compra o clube e repõe capitais próprios e capital social, ou então, hasta la vista!
Quem terá sido a entidade bancária suicida que emprestou esta enorme quantia de dinheiro?

Ai se as regras fossem para valer...
É nesta "sopa" de comportamentos anti-capitalistas, anti-éticos e anti-morais que dificilmente se reconhecerá alguém decente no meio de tanta vilanagem.

Tiago Mestre

ESPANHA E PORTUGAL - IRMÃOS IBÉRICOS (PARTE 4)

Caros leitores e leitoras, todos sabemos das dificuldades económicas e sociais que Portugal atravessa, mas se olharmos para a Espanha, o cenário assume outra complexidade:

1. Taxa de desemprego: a rondar os 25%
2. Redução do défice exigido em 2-3 anos: aproxim 50 mil milhões de euros.
3. Crescimento do PIB nos próximos anos: zero ou menos
4. Rating da sua dívida: a caminhar para lixo
5. Os buracos financeiros já descobertos e ainda por descobrir deixam qualquer investidor com os cabelos em pé

Pergunta nº1 à classe política:
Sendo necessária esta redução efetiva do défice, alguém consegue conceber qual será a taxa de desemprego nesta país daqui a 3 anos, depois destes cortes orçamentais?

Pergunta nº2 à classe política:
Em que critérios se baseia a elite política europeia para informar o planeta de que o governo espanhol conseguirá implementar a austeridade a par com crescimento económico?

As economias europeias, sobretudo do Sul da Europa + Irlanda perderam o fôlego económico.

Toda a política social que se baseou em projeções de crescimento económico até ao infinito são hoje totalmente insustentáveis.


Já é tempo de conceber planos económicos e sociais que incluam crescimento ZERO.

A Austeridade é necessária porque elimina desequilíbrios orçamentais que já eram insustentáveis, mas daí inferir que o crescimento económico será uma consequência natural dessas medidas é mentir ao povo europeu. É nesta falsa premissa em que a esquerda política assenta todo o seu discurso. Nem uns nem outros têm razão, e polarizando o discurso político acabam por deixar o povo ainda mais confuso e incrédulo com tudo o que se está a passar.


Sugerimos à classe política que não engane mais a população com falsas espectativas.


ESPANHA E PORTUGAL APRESENTAM-SE CADA VEZ MAIS COMO UM CASO IBÉRICO QUE, A SER ESTUDADO EM CONJUNTO, PODERÁ REPRESENTAR UMA NOVA FORÇA COM IDEIAS VIÁVEIS PARA UMA SAÍDA CONJUNTA DO EURO.

Tiago Mestre

Bombeiros obrigam Secretário de Estado da Saúde a ser sério!

Atentem a esta notícia que o serviço público Antena 1 teve a amabilidade de nos trazer no decorrer desta semana:

Ficou acordado em reunião entre os representantes dos bombeiros e o sr. secretário de estado da saúde que o transporte de doentes pelos bombeiros seria remunerado com um valor fixo, ainda por acordar.

Posteriormente à reunião o sr. secretário de estado esboçou a proposta por escrito e enviou para os bombeiros, incorporando no texto que a remuneração seria um valor até um máximo de x.

Esta alteração teve a imediata discordância dos bombeiros por motivos evidentes, tendo o sr. secretário de estado reformulado o texto para: um máximo de x. Ou seja, suprimiu a palavra até.

Com esta alteração o representante dos bombeiros "perdeu a paciência", e em declarações à Antena1 mostrou que é homem sério:
" O sr. secretário de estado pode ficar com o até, pode ficar com o máximo, fique com as palavras que quiser. Nós não aceitamos o acordo nestes termos porque não foi isto o discutido na reunião."

Lamentamos que alguém como o sr. secretário de estado jogue com as palavras julgando fazer dos outros "parvos". Felizmente que do outro lado da negociação temos gente séria que não se deixa levar por estas aldrabices.
Incorporar no texto após  acordo verbal as palavras até um máximo de sugere que o governo poderia definir o preço que quisesse sem o acordo dos bombeiros, e isso não é sério.

Se não há dinheiro, que o assumam, e por favor não tentem enganar os parceiros que prestam um serviço importante à sociedade. Não é sério nem moralmente aceitável.

Tiago Mestre

27 de abril de 2012

Para quem gosta de pensar Portugal

Caros leitores e leitoras, sugerimos a leitura do artigo de Phillip Bagus, publicado no blog A Espuma dos Dias, que nos explica potenciais cenários para a saída de um país da UE e da Moeda Única.

Independentemente das nossas inclinações a favor ou contra a saída de Portugal do euro, todas as opções devem ser ponderadas e cuidadosamente analisadas.

Assim se pensa a Europa, assim se pensa Portugal

Tiago Mestre

Austeridade: remédio, veneno ou placebo?

Para aqueles que agora desejam ardentemente o dito crescimento em detrimento de tanta austeridade, eis um gráfico que mostra as consequências dessa política suicida nos EUA, e que facilmente se aplica ao caso português e digamos, à maioria da Europa nos dias que correm..

Cortesia ZeroHedge

São precisos 2,52 dólares de dívida para gerar 1 dólar de crescimento!!  Este é o cancro, o vírus, chamem-lhe o que quiser, que inundou as economias ocidentais baseadas em consumo.
A fórmula do PIB já merecia esta atualização: a inclusão de todo o endividamento gerado pelo país, ou seja:

PIB = Consumo Público + Consumo Privado + Investimento + Exportações - Importações - ENDIVIDAMENTO

Rapidamente se perceberia que muitos países têm tido desde há muitos anos um crescimento apenas aparente..

O caso português é ainda mais caricato. O endividamento anual em média de 12 a 15 mil milhões no setor público (já nem falamos do privado) desde 2008 já nem é suficiente para segurar o PIB, ou seja, 15 mil milhões/ano de endividamento servem apenas para manter (ou não cair muito) o PIB!

Perante estas evidências já perdemos a paciência para com aqueles que implorem o regresso ao crescimento em detrimento de tanta austeridade.

Perguntamos nós: E COMO É ISSO POSSÍVEL SE NÃO HÁ MARGEM DE MANOBRA NENHUMA?
E mesmo que houvesse, não é o Estado que tem que por a economia a crescer, porque não percebe nem de empresas, nem de estímulos nem da justa redistribuição da riqueza.

Será que querem ainda mais endividamento do que aquele que já temos hoje só ao abrigo da troika? Ainda esta semana soubemos que o endividamento público já vai em 191 mil milhões de euros para um PIB de 171 mil milhões. O rácio já passou os 100% e poucas semanas faltarão para chegarmos aos 200 mil milhões.

Não se percebe o que esta gente quer:

Há 1 ano José Sócrates era despesista e irresponsável com os Parques Escolares, as Auto Estradas, o TGV, o Aeroporto, os funcionários públicos, etc, etc.
Agora que estamos todos o provar do remédio da austeridade, já muitos desejam ardentemente o que odiavam há 1 ano apenas. Santa paciência!

Tiago Mestre

25 de abril de 2012

Democracia em Portugal - só se for muito portuguesa


Lemos recentemente um texto de Frank Karsten, publicado no blog A Espuma dos Dias do autor Vivendi, que muito prezamos aqui no Contas, que reflete sobre os defeitos e as consequências indesejadas das democracias atuais.

Por sermos tendencialmente libertários e apoiantes de um governo que não se intromete na vida da maioria das pessoas, sobretudo aquelas que contribuem ativamente para a prosperidade de uma Nação, há uma parte de nós que concorda com os argumentos evidenciados. Aliás, dificilmente se refuta o que está escrito e a própria realidade dos acontecimentos corrobora os receios expressos pelo autor.

A Democracia como a conhecemos hoje é realmente um sistema imperfeito e com tendência para a formação de disparidades sociais, de iniquidades e de uma deficiente redistribuição de riqueza. Outra evidência que emerge de tantos anos de Democracia em Portugal e no resto do mundo ocidental é o progressivo aumento da presença do Estado na economia. A ideologia socialista aliada a uma vontade permanente de querer agradar ao eleitorado tornaram o Estado uma peça fundamental na condição de sobrevivência de milhões de cidadãos. A política de “mão estendida” do povo e da elite para com o Estado tomou este de assalto, tornando-se refém de si próprio, das leis que estabeleceu e das dicotomias das classes partidárias.

Com o arrefecimento das economias ocidentais, o Estado reforçou ainda mais a sua condição de ajudante de uma sociedade cada vez mais desequilibrada. A classe política, tendo consciência ou não deste desequilíbrio, lá continuou a prometer o impossível apenas para conquistar mais alguns votos. 35 anos após a instauração da democracia em Portugal, o Estado é, direta e indiretamente, responsável por 4-5 a milhões de portugueses. Ser responsável por 50% da população é, em termos económicos, um projeto com fim à vista. O Estado não produz nem cria riqueza que permita a manutenção de tanta dependência, e quanto mais pede à economia privada, mais esta arrefece e mais insustentável se torna o projeto socialista/democrático que o povo tem vindo a escolher.

O sufrágio como mecanismo de extração de governo através de uma opinião pública é também um processo pouco eficaz, como referiu Fernando Pessoa em 1928, na medida em que o voto é um ato único de “sim ou sopas”, impossível de englobar todas as dúvidas e todas as certezas que emergem naturalmente em cada cidadão na formação da sua opinião. Se aliarmos a esta vicissitude uma elite política que se confronta no terreno das ideias recorrendo a demagogia, a falsas verdades e a omissões dos aspetos negativos das suas ideias, maior a dificuldade para o cidadão na formação da sua opinião.

Contudo, é preciso fazer a pergunta: haverá outro regime melhor, ou menos mau?

E aqui é que a “coisa” se complica, porque a ausência de democracia e do sufrágio significa a não eleição pelo povo das pessoas que dirigirão os cargos de poder do Estado. Tal mecanismo promove governantes mais autoritários e com tendência para a supressão de liberdades essenciais à dignidade que o povo julga merecer. É nossa convicção que a cultura portuguesa pouco se adequa a esta supressão de liberdades.  Genericamente, preferimos ter uma opinião, mesmo não fundamentada e totalmente inverosímil, do que não ter nenhuma. Como dizia Agostinho da Silva: “Preferimos ser livres a estar certos.”

A democracia é o mecanismo político que mais se aproxima das vicissitudes da nossa cultura, e concordando com esta proposição só nos resta a opção de aperfeiçoar o processo democrático e torná-lo menos suscetível à repetição de erros cometidos no passado. Se não cuidarmos da sua saúde teremos novamente uma alteração de regime que suprimirá inevitavelmente a liberdade individual para que se “façam as coisas que devem ser feitas”. E se assim for, então que o seja, porque se for essa a condição para que voltemos a dar valor aos fundamentos da liberdade, nada como ficar “doente” para dar valor à saúde. Oxalá que não tenhamos de ciclicamente provar deste veneno, mas a democracia é tudo menos um direito adquirido.

Tiago Mestre

24 de abril de 2012

25 de Abril à porta - como foram as contas públicas da nossa revolução

A propósito das comemorações do 25 de Abril de 1974, achamos importante revelar as contas públicas dos anos que antecederam e procederam a revolução dos cravos.

Neste contexto histórico de dar a conhecer as contas públicas portuguesas, publicámos aqui no Contas há uns dias outro post que nos esclarece as tendências financeiras do Estado no final da 1ª república e no início da Ditadura de Salazar.

Com este post tentaremos dar alguma informação financeira sobre o que se passou nos conturbados anos que caracterizaram a revolução dos cravos:

PIB
Ano           (em milhões de contos)
1973                     297,4
1974                     313
1975                     285

Dívida Pública
Ano           (em milhões de contos)
1961                     18,7                                
1973                     51
1975                     147

Nível Médio de reservas-ouro e divisas
Ano           (em milhões de contos)
1973                   72,5
1974                   64,8
1975                   45,7

Meios de Pagamento em circulação (Notas, moedas, letras de câmbio)
Ano          (em milhões de contos)
1973                   301,3
1974                   342,2
1975                   385,4

Com estes números poderemos fazer uma espécie de radiografia financeira aos primeiros anos do novo regime:

1. 1975 é um ano de recessão económica face 1974. Compreende-se pelas vicissitudes da mudança de regime e sobretudo pela ausência de investimento (Formação bruta de capital), já que muitos investidores "fugiram" de Portugal e outros nunca chegaram a entrar.

2. A riqueza herdada do regime anterior, quer sob a forma de avultadas reservas de ouro bem como pela ausência de endividamento/déficit público, foi rapidamente aproveitada pelo novo regime. Em 3 anos geraram-se déficits públicos permanentes e desde essa época até hoje não mais o Estado conseguiu gerar superavits orçamentais.

Para se compensar o défice vendeu-se ouro apressadamente e imprimiram-se notas no Banco de Portugal.
O escudo entraria assim numa espiral inflacionária que caracterizou a política monetária de Portugal nas décadas seguintes.

PERGUNTA:

Houvesse hoje uma revolução, teria ela energia financeira herdada do regime precedente para fazer valer e implementar as suas ideologias, quaisquer que elas fossem?

A RESPOSTA É: NÃO

Simplesmente já não há mais dinheiro aonde ir buscar. Há muito que esgotámos a energia que restava e começámos inclusivamente a pedir energia ao futuro (endividamento) para fazer face aos compromissos do presente.

Sabemos que a história é feita pelos vencedores, mas para não cairmos nos mesmos erros sucessivamente é importante compreendê-la sob outras perspetivas, sobretudo a dos perdedores.

Este é o tributo que prestamos aqui no Contas a esses homens e mulheres que, também eles, lutaram por um país melhor, mesmo defendendo ideologias e opções políticas totalmente anacrónicas e disformes com os ventos que sopravam da Europa na época.

Tiago Mestre

Fonte: 25 de Abril, a Revolução da Vergonha, João da Costa Figueira, Literal - Sociedade Editora Lda, 1977

23 de abril de 2012

... sobre a incorporação da regra europeia dourada (Parte 3)

Oops, ontem foram os políticos holandeses a não se entenderem com a tal austeridade dourada assinada no papel.

Num mês tivemos:

1. Espanha com o alívio das metas do défice;
2. Itália com o adiamento por um ano das metas do défice;
3. Grécia a não cumprir qualquer meta imposta e renunciando desde já a fazê-lo no futuro;
4. Holanda a não querer implementar austeridade porque fragiliza o já de si "frágil" crescimento económico do país.

Quem se segue?
5. França? Caso Hollande vença a 2ª volta?

Sabíamos que o acordo não era para ser cumprido, mas ser desprezado desta forma tão "ordinária" até nos parece uma ofensa.

Quem diria que o que escrevemos aqui a 11 de Abril se revelaria de forma tão descarada poucos dias depois. É triste...

Tiago Mestre

O falso paradoxo do confronto AUSTERIDADE vs CRESCIMENTO

Caros leitores e leitoras, temos vindo a constatar no espaço mediático uma maior polarização ideológica entre aqueles que defendem a austeridade como mecanismo de regressar ao crescimento económico, e aqueles que defendem um regresso ao crescimento económico no curto prazo mas sem tanta austeridade.

Lamentamos informar, mas nem uma nem outra opção levam a crescimento nenhum no curto ou no médio prazo. Vamos tentar desmistificar:

1ª postulado:
A defesa de um regresso ao crescimento económico mas passando primeiro por um plano de austeridade nas contas públicas.

2º postulado:
A defesa de um regresso ao crescimento económico aligeirando as metas da troika e atenuando os efeitos recessivos da austeridade.

Quem conhece as contas públicas e a economia portuguesa sabe que as duas proposições escondem uma parte considerável da verdade, e só assim é que se conseguem "bater" no pobre mercado das ideias que se chama opinião pública portuguesa.
É até paradoxal a formulação destes 2 postulados, e para muitos portugueses e portuguesas fica a maior das dúvidas porque é que a austeridade não está a funcionar e a solução milagrosa esteja agora no aliviar das metas da troika.

O que é que se está a "esconder" à sociedade nestes 2 postulados?

No primeiro postulado omite-se o facto de que para recuar na austeridade é preciso capacidade de ENDIVIDAMENTO. E isso é algo que não é possível nos dias de hoje, nem num futuro próximo. Sem capacidade de pedir dinheiro emprestado não há outro remédio senão ajustar as despesas às receitas. Cai o postulado por terra porque há uma tentativa de querer viver acima das possibilidades, numa espécie de levitação que viola a lei da gravidade. Não pode.

No segundo postulado querem-se forçar as leis da matemática que se aprende no 4ª ano de escolaridade, na medida em que se acreditava que a redução da despesa do Estado não influenciaria de sobremaneira o PIB. Acontece que na fórmula do PIB há lá 2 parcelas que dizem respeito à Procura Interna: uma é o Consumo Público, outra o Privado. Se o Estado corta nas suas despesas de aquisição de bens e serviços, afeta a 1ª parcela, e se corta em salários e pensões, afeta a 2ª. Acreditava-se que as exportações, outra parcela do PIB, compensassem toda esta derrocada no consumo interno. Não compensou, e assim cai o segundo postulado que tentou fugir às malhas da matemática mas não conseguiu.

Foi uma ingenuidade acreditar que as exportações, dependentes de um mercado externo que sofreu uma crise sistémica em 2008, uma recessão em 2009, e uma permanente crise de confiança, sobretudo na Europa, seriam o salvador da pátria.


Esqueçam o confronto AUSTERIDADE vs CRESCIMENTO. É uma discussão inútil.
O que é certo é isto: NINGUÉM NOS EMPRESTA DINHEIRO A TROCO DE CONVERSA, e como tal, as despesas terão que igualar as receitas, quer se goste, quer não. Neste processo de equilíbrio orçamental público teremos pelo caminho uma consequência totalmente indesejável: uma redução do PIB português superior a 30 ou a 40% em relação ao pico de 2011: 172 mil milhões de euros.

E porquê?
Porque a par do equilíbrio das contas públicas que faz cair o PIB, há que estimular o investimento privado. E como é isso possível? Baixando impostos, mas como não há capacidade de endividamento, as despesas terão que acompanhar a quebra da receita, reduzindo ainda mais o PIB.
Esta espiral só parará quando tivermos o nível de consumo nacional em paridade com o nível de produção.
Até chegarmos lá, sugerimos que apertem os cintos porque a viagem vai ser complicada!

Tiago mestre

22 de abril de 2012

As Contas públicas do final da 1ª República e do início da Ditadura - comparações com a atualidade

Queremos com este post informar os leitores e as leitoras daquilo que foram as contas públicas portuguesas na segunda e terceira décadas do século XX e algumas analogias que se podem formar com os dias de hoje.

Não queremos fazer nenhuma apologia nem preferência dissimulada a qualquer um dos regimes. Pretende-se tão só analisar os números e percebermos se o que se fez na altura e pode ser comparável com o que se tem que fazer hoje.

As contas públicas em quase toda a década de 20 do século XX refletiram défices públicos permanentes, complementadas por impressão monetária, emissão de bilhetes do Tesouro e saldos negativos crescentes na conta corrente da Caixa Geral de Depósitos.


Ano de Gerência:       Défice Público  |  Circulação Fiduciária  |  Bilhetes tesouro |  Saldo negativo na CGD
                                    Valor anual               Somatório                  Somatório                Somatório

1920-1921                -188 mil contos         611 mil contos          82 mil contos           131 mil contos
1921-1922                     -190                           737                           201                         156
1922-1923                     -501                          1054                          261                         269
1923-1924                     -228                          1420                          246                         269
1924-1925                     -243                          1763                          270                         235
1925-1926                     -122                          1821                          566                         504
1926-1927                     -642                          1854                          1042                       539
1927-1928                     -181                          1857                          1103                       629

As políticas praticadas no período aqui referido, bem como nos primeiros 10 anos da República e nos 80 anos de Monarquia Constitucional assemelham-se em muito às que foram aplicadas na nossa democracia desde o 25 de Abril:

Déficits constantes;
Impressão de moeda e
Emissão de bilhetes de Tesouro

A inflação era galopante e reinava a desordem no Ministério das Finanças. Sacrificava-se o futuro  a troco da salvação do momento, evitando a todo o transe a execução de reformas estruturais que o país e o Estado exigiam.

Com a mudança de regime e a entrada de Salazar para a pasta das finanças, o Estado passou a acusar saldos positivos: contrariavam-se assim décadas de deficit.

Ano da Gerência                            Défice Superavit Público
1928-1929                                           +275 mil contos
1929-1930                                           +40
1930-1931                                           +152
1931-1932                                           +150
1932-1933                                           +84
1933-1934                                           +130
1934-1935 (18 meses)                         +317
1936                                                    +228
1937                                                    +212
1938                                                    +241
1939                                                    +134

Toda a década de 30 foi, em termos económicos, bastante má.
O PIB pouco cresceu e as receitas públicas estagnaram. A única forma de manter as contas em ordem era manter um nível de despesa inferior à receita, impondo rigor, disciplina e austeridade aos restantes ministérios.
                                                      Receitas totais
1928-1929:                             2.057 milhares de contos
1939                                       2.218 milhares de contos               

É interessante analisar os rácios e as grandezas utilizadas na época e agora:
Não havia referência ao défice em função do PIB nem ao PIB em si. As contas do Estado eram tratadas de forma elementar: despesas versus receitas.

E o que fez Salazar para equilibrar o orçamento de 1928-1929?

                          1927-1928               1928-1929
Receitas:                1.554                        1.919
Despesas:              1.943                        1.917

Basicamente, aumentou as receitas (aumento de impostos e reorganização da coleta) e manteve as despesas.

Conseguiria Salazar fazer hoje aquilo que fez há 90 anos?


Duvidamos muito.

Do lado da receita:
Na época o Estado ocupava não mais de 5-7% da economia portuguesa. Mexer assim nos impostos e na coleta não trouxe consequências gravosas para a economia em geral.
Hoje o Estado ocupa 51% da economia e os impostos representam 41%.
Aumentar hoje os impostos como se fez há 90 anos nunca traria as receitas previstas. A economia arrefeceria imediatamente, criando recessão e redução da massa coletável. Basicamente, por muito que se aumentem os impostos já não há economia aonde ir buscar esse dinheiro. Ou foge para a economia paralela ou eclipsa-se simplesmente.

Do lado da despesa:
À época, Salazar apenas tinha que se preocupar com as despesas da República, ou seja, gastos dos ministérios. Não havia reformas nem subsídios de desemprego para pagar, e não gozava de uma pirâmide demográfica altamente desfavorável.
Hoje a maior rúbrica de despesa são as contribuições para a Segurança social, ou seja, dinheiro que é entregue a pessoas que sem ele não possuem condições quase nenhumas de sobrevivência. E se se quer baixar despesa é nesta rúbrica que se tem que mexer, acima de todas as outras.

O Estado que temos hoje, fruto de sucessivos governos impelidos em garantir maior segurança social à população e baseando-se em receitas que se esperava crescerem até ao infinito, criou uma armadilha às próprias contas do Estado que seria ativada quando o PIB deixasse de crescer 2-3% ao ano:
1. Se se reduz despesa, cria recessão
2. Se cria recessão, reduz receita.
3. Se reduz receita, tem que reduzir despesa, perpetuando o ciclo vicioso

O ciclo só parará quando o PIB cair talvez 30, 40 ou 50% face aquilo que é hoje. Não esquecer que o da Grécia já vai em 20-25% desde 2008.
O que os políticos mais desejam é que as economias voltem a crescer para evitar esta correção, e com isso não querem perceber que as economias ocidentais estão hoje sem a energia que outrora possuíam: agricultura, indústria e recursos naturais abundantes.

É esta dissonância cognitiva da classe política que gera o logro de espectativas na população e consequente descredibilização das elites pela sociedade.

Tudo aquilo que conhecemos hoje como direitos e garantias dos cidadãos assegurados pelo Estado serão uma fracção num futuro bem próximo.

O ciclo só parará quando a produção igualar o consumo.

E todos nós sabemos como o consumo descolou da produção nas últimas décadas. A regressão já começou.


Tiago Mestre

Fonte: A Obra de Salazar na pasta das Finanças, Edições SPN (Secretariado da Propaganda Nacional), Lisboa, 1941.

Grécia nunca parou de jogar poker com a UE

O bluff dos gregos neste jogo de poker da UE é... INCRÍVEL!
Enganaram mais uma vez a malta toda. É de ficar perplexo com a atitude deles.

Para receberem o 2º resgate e verem a sua dívida perdoada em 100 mil milhões de euros aprox., assinaram o que a UE pediu, aprovaram no Parlamento e desmultiplicaram-se em declarações. Desta vez é que era!

O tanas!
Leiam as declarações:

Lider do PASOK e Ministro das Finanças Venizelos numa entrevista à TV sexta-feira, dia 20 Abril:
"A Grécia não conseguiu sair da crise e portanto ainda poderia sair da UE e regressar ao dracma."
"O governo não subirá impostos nem reduzirá salários." - Uma violação clara do acordo com a troika

Paul Thomsen - líder da troika na Grécia, sexta-feira, dia 20 Abril:
"A Grécia não atingirá os resultados que estavam definidos e não está certo de que cumprirão qualquer uma das condições impostas pela troika"

Estarão mesmo os líderes gregos a preparar a saída da UE quando a dívida grega estiver toda do lado do BCE, FMI e UE?
É que estes resgates são acima de tudo uma transferência de encargos dos credores privados para instituições públicas/semi-públicas.

Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, já deve andar a fazer contas às perdas que o Bundesbank sofrerá com a saída da Grécia do Euro.
Se tivesse prestado atenção aos receios de Axel Weber e Jurgen Stark em 2010 e 2011, escusava de passar por esta humilhação. Agora é tarde de mais!

Tiago Mestre

21 de abril de 2012

... sobre a incorporação da regra europeia dourada (Parte 2)

Escrevemos a 11 de Abril deste ano, há menos de 2 semanas:

"... objetivamente é só mais um papel que será assinado hoje e violado amanhã. A Europa já nos habituou a este modus operandi. Muita parra, pouca uva e quase sempre estragada."


Há 1 semana foi Mario Monti, primeiro ministro de Itália, referir que afinal as metas do défice terão que ser adiadas 1 ano.

Mariano Rajoy em Espanha, há 1 mês, propôs a alteração do défice de 2012 para 5,8%, em vez de 4,5%. A UE deu-lhe 5,3%. Ficou meio por meio.

Se os investidores acreditarem que a assinatura deste papel é para valer, e confiarem nos políticos europeus, então preparem-se para investir mal, muito mal.

Depois não digam que ninguém vos avisou.

Tiago Mestre

3ª Justificação para a defesa de uma Ditadura Militar - de Fernando Pessoa

Há já algum tempo que andávamos com vontade de publicar Fernando Pessoa aqui no Contas.
O homem é um génio, e dizer isto não é uma banalidade.

A sua capacidade de interpretação da realidade da sociedade portuguesa torna-o um sociólogo de primeira qualidade.

A 1ª República estava a correr mal no princípio do século XX, e Fernando Pessoa não sendo indiferente a este problema de regime, deixou para todos nós um conjunto de textos que consideramos ESSENCIAIS para a compreensão da nossa mui nobre cultura.

Deixamos aqui alguns excertos do seu terceiro texto que defende a instauração de uma ditadura militar, escrito em 1928. Para quem se deixar cativar, que leia o texto integral (não ultrapassa as 6 páginas)

... sobre os tipos de governo

"Há só três bases de governo - a força, a autoridade e a opinião pública."


" O governo de força existe só nas sociedades bárbaras ou semi-bárbaras; regressa atipicamente nos episódios ditatoriais das sociedades civilizadas"


"Ao governo de força sucede, na linha de passagem das coisas, o de autoridade: a autoridade é a força consolidada..."


Com o desgaste inerente de um regime de autoridade, é preciso "estabelecer um sistema de governo fundado na opinião..."


"Europa, e nós com ela, seguiu este curso fatal. A todos nos confronta um problema político: extrair da opinião um sistema de governo."

... sobre a formação de uma opinião pública forte


"Qualquer opinião é de uma de três espécies, conforme assente no instinto (ou na intuição), no hábito, ou na inteligência.

"O instinto simples é instantâneo e sintético."


" A intuição pode ter por objecto o abstracto e o indefinido"


" O hábito é igual ao instinto simples, salvo em não ser individual"


" A inteligência é analítica, é individual, e tem por objecto o abstracto"


" Em toda a opinião entra uma parte de cada um destes elementos, pois na vida é tudo fluído, misturado, incerto, mau de analisar sumariamente e impossível de analisar até ao fim"

Fernando Pessoa analisa de seguida a formação de opinião pública portuguesa, ou a falta dela, baseada nestes pressupostos. Para quem se deixou cativar pode encontrar o texto completo aqui.

Obrigado Fernando Pessoa

Tiago Mestre

19 de abril de 2012

Combate à corrupção só se fará com...

Tanta conversa à volta  do combate à corrupção, e nada... Aqui no Contas temos pensado e lido algumas coisas sobre esta matéria, e queremos deixar à vossa consideração estas linhas de raciocínio:

O que tipifica um crime de corrupção?
Basicamente é um ato ilicito em que 2 ou mais entidades beneficiam mutuamente em prejuízo de uma terceira entidade.

E quem costuma ser a terceira entidade?
A "coisa pública", ou seja, o Estado.

Porque é tão difícil provar atos de corrupção?
Porque se o corrupto e o corruptor forem inteligentes, dificilmente se criam provas que incriminem a conduta ilícita. Só se um trair o outro (através de confissão) é que pode incriminar.

Porque é que tendem a haver tantos atos de corrupção?
Porque quando o poder público é distribuído por tantas "chafaricas", muitos funcionários públicos e políticos eleitos gerem orçamentos e verbas.

A proposta de lei do enriquecimento ilícito do PSD/CDS tenta "contornar" esta dificuldade criminal de produzir prova nos casos de corrupção. Mas é inconstitucional, e portanto a abordagem não pode ir por aí.

NOSSA SUGESTÃO PARA COMBATER A CORRUPÇÃO:

Reduzir a presença do Estado e dos Orgãos de poder público na condução dos destinos de Portugal.
Quanto menos Estado, menos funcionários a gerir dinheiro público, logo menos corrupção. É uma questão probabilística, dificilmente sujeita a refutação.

Se for o setor privado a gerir, quem compra será quase sempre dono do dinheiro, logo não se corromperá a si próprio!

Get it?

Tiago Mestre

18 de abril de 2012

Queríamos compreender o FMI, mas não está fácil ! (Parte 2)

As contradições em que o próprio FMI se envolveu em menos de um ano revela uma incompetência técnica tão grande que há já muito tempo que deixámos de receber lições desses meninos aqui no Contas.

E para mal dos nossos pecados, as teorias que há 9 meses eram as "certas", hoje já são as "erradas". Pelo meio tivemos Portugal como cobaia de ensaio.  É RIDÍCULO!

Na capa do jornal I, e bem referido no Blog "A Espuma dos Dias", há Tensão no ar.

Mas a notícia acrescenta que o FMI, paladino da austeridade há 1 ano, acusa agora o BCE de ajudar a Alemanha em detrimento dos países periféricos, preferindo a austeridade ao crescimento.

Quem diria que uma instituição com esta presença mundial se contradiga em menos de 1 ano e ainda acuse (falsamente) o BCE de ser apologista da austeridade.
O BCE tem sido antes um "MÃOS LARGAS" de bolsos vazios!

Que grande, grande disparate!

Que péssimo serviço prestado aos países resgatados. Portugal deveria suspender desde já os pagamentos pela consultoria financeira prestada.

E que péssimo serviço para a formação de uma opinião pública informada e que assegure a credibilidade das instituições tecnocráticas que verdadeiramente nos governam nos dias de hoje.

Tiago Mestre

A velocidade do dinheiro !

Temos dado muita atenção aqui no Contas acerca da política de impressão generalizada de dinheiro que os Bancos Centrais têm efetuado nos últimos anos e das suas consequências.

A mais evidente e mais perigosa é mesmo a inflação. Contudo, os valores desta na UE e nos EUA, de acordo com os institutos oficiais, não são uma calamidade, ou seja, pouco acima dos 3%. Mas até podemos aceitar que esta não seja de 3% na realidade, mas de 7% ou até de 10% em alguns produtos.

Não obstante, os estragos que a inflação gera na economia parecem ainda não ser evidentes, e segundo um artigo de Chris Martenson, há um fenómeno que está a "prender" essa mesma inflação:

A Velocidade do Dinheiro


Os 2 gráficos abaixo representam a realidade do dólar americano na sua quantidade e na sua velocidade:




A velocidade é um valor calculado, ou seja, é a divisão da quantidade de dinheiro pelo PIB dos EUA.

Com estes 2 gráficos ficamos a perceber que a impressão de dólares massiva que tem ocorrido nos últimos anos, muito acima do crescimento da economia, só não se transforma já em inflação porque a banca privada e outros setores da economia têm o dinheiro quase parado.

E com esta constatação verifica-se que o problema da inflação não é hoje motivo de preocupação "aparente", mas por detrás da aparência o dinheiro está literalmente a ser empilhado, tal como uma barragem que está a encher o seu nível de água.

Empilhado porquê?
Porque quem conseguiu reter o dinheiro não sente segurança suficiente em voltar a investi-lo. O que se passou com o mercado sub-prime e a queda das cotações das bolsas deixou muitos investidores nervosos. Para acalmar o nervosismo, os bancos centrais começaram a imprimir para voltar a estimular a atividade, mas só uma parte desse dinheiro entrou no circuito, ou seja, ganhou velocidade. O resto está parado à espera de melhores dias.

E o que pode provocar um aumento de velocidade, e consequentemente inflação?

1. Especulamos que caso haja novamente confiança e o crescimento económico seja uma realidade, a barragem comece a abrir as portas.

2. Uma continuada descredibilização do dólar aos olhos do resto do mundo, colocando o investidor no dilema se vende os seus dólares ou não.

3. Queda do valor das ações e de outros ativos financeiros denominados em dólares, transmitindo aos investidores que o retorno desses ativos já não é atrativo.

4. Muitos outros motivos haverá para que qualquer pessoa se queira ver livre das notas e das moedas que perdem valor ano após ano.

Conclusão:

Para já, por paradoxal que pareça, são os bancos privados e outras instituições privadas que estão a barrar todo este fluxo monetário proveniente dos bancos centrais, quando deveriam ser estes a zelar e a preservar o valor da moeda do seu País/União.

No dia em que os banqueiros decidirem vender os seus dólares e os seus euros, os bancos centrais e a classe política terão logo que subir as taxas de juro para absorver esse excesso de liquidez monetária, contudo nunca será a tempo. Subir as taxas de juro é uma questão política (para mal dos nossos pecados), e subi-las hoje significaria "rebentar" com o castelo de cartas em que as instituições financeiras se meteram. Sem crédito barato e ilimitado as máquinas financeiras começam logo a colapsar.

Tudo com o patrocínio dos nossos bancos centrais e das suas "mãos largas".

Vejam-se as operações constantes do BCE com os programas SMP e LTRO 1 e 2.
O FED com o QE1, QE2 e a operação Twist. O Banco do Japão, o Banco de Inglaterra, etc, etc. Tudo a imprimir dinheiro.

Nunca nos cansaremos de referir aqui no Contas os atos "malditos" que estes banqueiros centrais/políticos andam a fazer por toda a parte.

Tiago Mestre

16 de abril de 2012

Para aqueles que queriam a intervenção do BCE...

... tomem lá a "chapada" de luva branca dos mercados.

Agora que os mercados se habituaram à presença do BCE, tanto através do programa de aquisições de obrigações soberanas (SMP), como nos empréstimos "à doida" LTRO, tudo o mundo aguarda pela taxa de juro das obrigações espanholas a partir do qual o BCE intervirá no mercado.

E qual é a melhor maneira de o saber? É vender, e depressa, porque assim mais cedo se descobrirá a taxa limite do BCE.

É este mecanismo pernicioso e de total manipulação que faz com que os mercados adoptem a estratégia do "price discovery", em que vasculham os critérios sob os quais os bancos nacionais atuam, e antecipando-se, tentam fazer fortunas..
E quem mais ganha? Quem mais depressa começar a vender.

Não digam que a culpa é dos mercados. Estes apenas se adequam ao contexto.
Antes criminalizem e punam quem manipula o contexto.

E já agora, qual é a taxa que julgam limite para o BCE?

6,5%   ?
7%      ?
7,5%   ?

Tiago Mestre

Vários líderes a dizerem a mesma coisa. Humm! (Parte 2)

Ainda há 15 dias nos estranhava a forma alinhada com que vários líderes mundiais reafirmavam que a crise financeira europeia tinha passado:

Sarkozy: "Hoje o problema está resolvido"; Christine Lagarde: "A Primavera económica está no ar"; Mario Draghi: "Conseguimos resolver a crise financeira"

Ouvimos estes comentários um pouco por toda a parte, mas nestas ocasiões convêm sempre desconfiar, e porquê?

1. Porque este alinhamento verbal num curto espaço de dias parece-nos combinado e previamente estudado. É para dar a tal "confiança" aos mercados.

2. E porque os comentários não são acompanhados de explicações técnicas. Basearam-se apenas em (aparentes) resultados:
-  Queda dos juros das dívidas soberanas;
-  Maior confiança entre banqueiros;
-  Ações das principais bolsas europeias a subir durante 3-4 meses seguidos .

Faltava fazer a pergunta a estes líderes:
- E porque é que acham que isto aconteceu? Se não foi milagre, o que é que motivou esta prosperidade trimestral?

- E se quisermos ser sérios, teremos que analisar o impacto do programa LTRO do BCE neste "suspiro" económico europeu que durou 3 meses.

Ou seja, os critérios fundamentais que permitirão uma recuperação sustentável das nossas economias não estão de todo resolvidos ou sequer a caminhar para lá.
Liquidar dívida com mais dívida e tentar perpetuar esta espiral até ao infinito, que foi o que o LTRO tentou fazer, parece-nos mais querer forçar o modelo business as usual.

Os 3 aparentes resultados que explicámos acima estão, um a um, a deteriorar-se dia após dia.

Já temos economistas neo-clássicos, como Stiglitz e outros, (só falta Krugman!) a perceber que afinal a "festa" de dinheiro impresso não pode durar para sempre e que promove a total manipulação dos mercados. Mas também (ainda) não concordam com a austeridade. Então em que ficamos?

Nunca é tarde de mais para reconhecer os erros, desde que haja humildade intelectual.

Tiago mestre

15 de abril de 2012

Sarkozy quer abrir debate sobre papel do BCE no crescimento económico

Se houver debate, será vazio e inconsequente.

Não só o mandato do BCE não permite apoiar crescimento, como se insistisse em fazê-lo, seria totalmente ineficaz.
Pelo caminho estraga a moeda, promove desequilíbrios entre financeiros entre países, puxa pela inflação, destrói poder de compra, reduz consumo interno, afugenta investidores e... chega!

Estas atoardas dos líderes europeus são só para chantagear e enganar o eleitorado.

Quem é entendido na matéria sabe perfeitamente que o BCE não pode nem deve entrar neste domínio.
Quem promove crescimento são as empresas e o capital humano que as compõe.

Tiago Mestre

14 de abril de 2012

Post tardio sobre a "Festa" do Parque Escolar

Caros leitores e leitoras, sendo nós ouvintes frequentes das Comissões Parlamentares, não deixámos de ouvir a famosa audição com a Ex-Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, ocorrida no passado dia 10 de Abril.

Essa audição já está disponível aqui.

E só vendo e ouvindo a audição é que podemos, eventualmente, formar algum tipo de opinião sobre o que dela se relevou no espaço mediático.

A "Festa para a arquitectura portuguesa" que tanto se badalou, inserida no contexto da audição, foi meramente uma expressão que derivou  do confronto de ideias e até de alguma disputa pessoal que se verificava entre alguns deputados e a ex-ministra acerca dos méritos e defeitos do projecto Parque Escolar.

Ficámos a conhecer que a atitude da ex-ministra, vincada pela forte personalidade que transpira, revelou uma certa propensão para um clima acintoso, ou seja, não se coibiu de responder de forma provocativa a certas afirmações dos deputados.

O clima foi aquecendo e a 2ª metade da audição ( foram 3 horas de audição! ) é que se caracterizou como uma verdadeira "Festa", mas de mediocridade intelectual:

1. O ruído era permanente quando a ex-ministra tinha a palavra. Os deputados falavam normalmente entre eles como se mais ninguém estivesse a falar. As próprias reacções faciais e até corporais dos deputados em função das explicações da ex-ministra revelavam um desrespeito difícil de aceitar;

2. Identificámos um deputado que já teclava sms no telemóvel antes da sessão terminar;

3. O responsável pela audição teve que interromper a audição 3 vezes devido às conversas paralelas.

Enfim, só nos lembramos da expressão REGABOFE para caracterizar o que lá se passou.

Sobre os méritos e defeitos do programa, o melhor mesmo é ouvir as explicações dos intervenientes no projeto. Não duvidamos da honestidade intelectual e da seriedade da ex-ministra, pelo que damos como verdadeiras as explicações que ali foram dadas.

Tiago Mestre

ESPANHA E PORTUGAL - IRMÃOS IBÉRICOS (PARTE 3)

Já se sabe onde foi parar o dinheiro do programa LTRO 1 e 2 do BCE.

Bancos espanhóis: 415 mil milhões de euros nos 2 LTRO's de Dez e Fev.
Bancos italianos: 354 mil milhões de euros. notícia aqui
Bancos portugueses: 56,3 mil milhões de euros só no LTRO de Fevereiro de 2012. notícia aqui

Quando afirmámos aqui que o dinheiro tinha ido parar sobretudo aos bancos dos países periféricos não estávamos longe da verdade. Antes pelo contrário.
E é por isso que o Bundesbank está furioso, como explicámos aqui.

A festa do Ltro acabou. De volta à realidade, pura e dura.

Este triunvirato de países representa hoje A grande ameaça ao sistema, já de si podre, que se denomina União Monetária Europeia.
Aguardamos que caia de maduro para que Portugal possa novamente reerguer-se, apesar de já ter entrado naquela fase de rastejar com a cara no asfalto!

Tiago Mestre

FACTOS: PORTUGAL E A PRÓXIMA DÉCADA (2011-2010)

Exceptuando o editorial, este foi o nosso primeiro post publicado no Contas a 26 de Dezembro de 2010. É sempre pertinente avaliar o grau de validade e veracidade das nossas ideias, e neste caso, parece (para mal dos nossos pecados) que a ideia não está longe da realidade..


Pretendemos neste post informar e colocar à vossa consideração o que tem sido o crescimento da economia portuguesa desde o início do século XX, e de que forma poderemos prever qual será o comportamento na década que aí vem. É composto por 2 gráficos que indicam a evolução do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do PIB per capita.

Dados estatísticos e Projecção
Remetemos abaixo para o primeiro gráfico que indica a evolução do PIB ao longo dos últimos 90 anos. Os valores indicados representam o crescimento médio em percentagem, ano após ano. Por exemplo, na década de 60, o PIB cresceu em média 6,08% num determinado ano face ao ano anterior, ao longo de toda a década. Quer dizer que nuns anos terá crescido mais do que 6%, noutros menos, mas em média cresceu 6,08% ao ano.
O valor apurado para a década de 2011-2020 (última barra do gráfico) é calculado em função de critérios estatísticos explicados abaixo, constituindo apenas uma projecção:

Gráfico:
Baseado em dados da University of Groningen 

Verifica-se que o crescimento do PIB foi inexistente nos primeiros 20 anos do século XX. A partir daí houve uma aceleração do crescimento do PIB tendo atingido o pico no final dos anos 60. Desde aí que o crescimento tem vindo a cair consistentemente, década após década.


Para se prever o crescimento para a década 2011-2020 (a última barra no gráfico), usámos a média da percentagem da desaceleração das últimas quatro décadas, representando uma diminuição média de 1,29% do PIB por década. Utilizando este critério, avançamos com a projecção de que a economia terá um crescimento negativo ao ano de 0,77% nos próximos 10 anos.
Apresentamos de seguida o segundo gráfico que indica o crescimento médio do PIB, mas per capita desde a década de 60. Neste gráfico também apresentamos uma projecção para a próxima década:
                                                                                                                                                 Baseado em dados da Pordata

A metodologia aplicada para efectuar projecção de 2011-2020 foi semelhante à do gráfico anterior.
Em análise, verificamos que o PIB per capita apresenta um valor médio mais baixo do que o valor do PIB ao longo das últimas 5 décadas. Mais importante, a redução do PIB per capita entre a década de 90 e 2000 é mais acentuada do que a redução do valor do PIB no mesmo período, ou seja:
O PIB per capita decresceu de 2,76% na década de 90 para 0,16% na década de 2000, representando uma variação negativa de 2,6%.
Já o PIB decresceu de 2,79% para 0,6%, resultando numa variação negativa de 2,1%.



Desta forma, a projecção que damos para a década 2011-2020 para o PIB per capita é mais baixa (-1,22%) do que a projecção para o PIB (-0,77%).

Equipa editorial "caseira"


Estaremos mesmo condenados a assistir a uma década "inteirinha" de recessão média de 1,22% per capita? Nem sabemos bem o que isso significa.


Tiago Mestre

13 de abril de 2012

Banqueiros governam o mundo - verdade ou mentira?

Muito se tem falado sobre o poder da alta finança na condução dos negócios públicos.

É já hoje sabedoria comum que os governos dos países ocidentais e respetivas democracias tornaram-se reféns dos diktats financeiros. E. para mal dos nosso pecados, não estamos muito longe da verdade.

Em retroespetiva:

1. A moeda deixou de ser um mecanismo de transferência e PRESERVAÇÃO de riqueza para se tornar num instrumento ao serviço das necessidades e vicissitudes da atividade política. Do padrão ouro-dólar que vigorou até 1971, transitámos para um padrão fiat em que a reserva de riqueza de uma moedaé a confiança que a população deposita nela.

2. Com esta benesse monetária a classe política foi lentamente percebendo que a impressão de dinheiro dava um jeitão a despesas crescentes nos orçamentos públicos. A consequência seria inflação, i.e. usurpação de riqueza à população, ou se quisermos, um imposto encapotado. Contudo esta usurpação era silenciosa, difícil de compreender e de analisar.

3. Com a sofisticação das máquinas políticas, as campanhas eleitorais e a luta pelo poder tornaram os políticos meros serventes dos desejos mais íntimos da população. Toda a estrutura do modelo social europeu que hoje conhecemos é fruto de muitas cedências políticas, como a incorporação de subsídios, reformas que não refletem os descontos que se fizeram, acesso ilimitado à saúde. A intenção era boa, a população agradecia, exigia ainda mais, e a classe política para se manter no poder lá ia fazendo milagres para conceder tanta extravagância.

4. Com todas estas "Farinhas Amparo" a população começou a perceber que trabalhar no duro e arriscar para vencer eram atitudes que em nada se revelavam compensatórias. O objetivo era, ou trabalhar no setor público ou trabalhar com o mínimo de esforço e máximo de rendimento. Outros já almejavam não trabalhar de todo e viver dos subsídios.

5. Com tanta decisão anti-económica e anti-capitalista, a economia tinha que afrouxar. As taxas de crescimento na década de 60 no caso português caíram para metade 20 anos depois. Assistia-se a uma maior presença do estado na vida portuguesa e a uma menor participação do setor privado.

6. Com as promessas eleitorais, os políticos tudo faziam para agradar, mas a certa altura, algures na década de 90, passámos aquele ponto em que a receita fiscal do futuro não era suficiente para satisfazer tanta benesse no presente. Para mal dos nossos pecados, foi nessa mesma altura que os juros caíram brutalmente para países como Portugal. A passagem à liga do Euro era interpretada por investidores estrangeiros como um carimbo de credibilidade e apoio dos mais fortes (Alemanha) para com os mais fracos. O prémio de risco baixou tanto que Portugal se tornou, sem o ser, um aluno de excelência aos olhos do exterior.

7. Estava montada talvez a maior armadilha a que Portugal já assistiu na sua história. Fraco crescimento económico, capacidade ilimitada de endividamento, menos produção, mais consumo, e esperança de que tudo correria pelo melhor com o Euro.

É aqui que entra a Banca mundial

8. Com tanto investidor a querer emprestar, dissemos sim a tudo e não nos restringimos em nada. Com a promessa de que tudo pagaríamos no futuro, o que não faltava era crédito.

9. A armadilha não foi só para Portugal, foi praticamente para todo o mundo ocidental.

10. Na década de 2000, e face às evidências de fraco crescimento económico no Ocidente, a classe política clamou por políticas que estimulassem o crescimento. E quais eram os instrumentos que estavam ao seu dispor? A manipulação das taxas de juro e a impressão de moeda como mecanismo de concessão de empréstimos a quem quer realizar despesa ou investimento. Os estados queriam fazer despesa para agradar, e como as receitas fiscais ficavam pelo caminho, compensava-se com a emissão de obrigações.
Como o dinheiro impresso ainda sobrava, bastava alterar legislação para se estimularem certos setores da economia para ajudar ao crescimento, e assim se criaram as grandes bolhas económicas que hoje todos conhecemos.

George W. Bush, com a ajuda de Alan Greenspan, puseram em marcha a grande bolha imobiliária dos EUA: taxas de juro a 1%; bancos com capitais próprios minúsculos face aos ativos; obrigação da Fannie e Freddie em garantirem todas as hipotecas, salvar instituições bancárias em falência, etc, etc.

11. Com tanto investidor a obter fundos a taxas de juro a 1% ou menos durante 3 ou 4 anos pelos maiores bancos centrais do planeta, a liquidez monetária não conheceu limites. Pedia-se o que se queria e investia-se onde se achava que era melhor.

12. Os governos ocidentais que estavam "proibidos" de pedir aos respetivos bancos centrais a aquisição das suas obrigações resolveram muito bem este dilema ao exigir aos Bancos centrais que emprestassem a qualquer banco o valor que este queria, e assim se garantia que todas as obrigações tinham procura suficiente para manter o juro baixo.

13. Num certo dia, que todos nós desconhecemos, passámos o tipping point: os governos e muitas instituições privadas já não conseguiam assegurar no curto-médio prazo a cobertura de despesas através das receitas: o continuado endividamento era uma necessidade ao ponto de servirem para pagar salários e despesas correntes.

14. Conclusão:

Os políticos quiseram
Os bancos sonharam
A dívida nasceu

Foram os políticos que transferiram o poder para a banca porque foi esta que lhes garantiu as condições para (se) servirem nos mandatos em que foram eleitos pelo povo.
Hoje, a relação entre os Estados e a banca é tão forte e conexa que ambos precisam um do outro para sobreviverem.

Ouvíamos ontem alguém dizer, e muito bem, que eram como gémeos siameses que partilhavam o mesmo coração.

Muito mais haveria a dizer. Ficamo-nos por aqui.

Tiago Mestre

12 de abril de 2012

Proteccionismo - primeiro ensaio

Pretendemos com este post iniciar um conjunto de reflexões que, alimentadas pelos leitores através do espaço para comentário, contribuam para o desabrochar de novas ideias sobre um velho tema: O PROTECCIONISMO

Sobre proteccionismo entendemos como sendo a necessidade de um país impor barreiras alfandegárias à importação de bens vindos do exterior, quer sob a forma de taxação ou outra.

A velha questão do proteccionismo tem vindo a ganhar importância porque, em países europeus tendencialmente mais importadores do que exportadores, essa dicotomia acentuou-se ainda mais após a adesão aos tratados europeus e ao euro.

Tais desequilíbrios nas balanças comerciais, em vez de serem tratados em sede própria, foram sistematicamente adiados através do "falso" apoio que credores externos nos concediam ao emprestarem vastas quantias de dinheiro cobrando juros muito abaixo do prémio de risco de Portugal.

Com dinheiro emprestado, Portugal tornou-se num país tendencialmente mais consumidor e menos produtor. Não é de estranhar esta consequência económica. Quando nos emprestam dinheiro com juros muito abaixo do  risco que representamos, até nós nos convencemos que também somos ricos e que algures no futuro tudo se irá liquidar.

Todos estes desequilíbrios comerciais cresceram em forma e feitio, contudo a apatia das lideranças europeias era evidente, demonstrando total desconhecimento e incompetência em lidar com problemas desta dimensão.

A festa durou até muito tarde: 2011. Tivessem os credores desconfiado mais cedo da nossa irresponsabilidade orçamental e não teríamos:
1. Contraído tanta dívida em tão pouco tempo
2. Desencorajado tantos produtores a deixarem de contribuir
3. Deixado tantos cidadãos tornarem-se meros consumidores com dinheiro emprestado

O mal está feito, não há volta atrás, mas olhando para o futuro, as receitas que a elite política nos quer mostrar como as adequadas são: CONTINUAR EXACTAMENTE  TUDO NA MESMA, ou seja,
recuperar o fôlego deste "azar" que nos bateu à porta e tentar já em Setembro de 2013 voltar a pedir emprestado aos credores as quantias gigantescas que é preciso para que a festa do crescimento real virtual do PIB continue.

O melhor que poderia acontecer a Portugal seria que a confiança dos credores realmente não regressasse tão cedo. Tal choque de crédito exigiria à sociedade profundas mudanças, e com isso iniciávamos um novo paradigma na história secular do nosso país.

Mas para que tal processo ocorresse, 3 assuntos (entre muitos outros) teriam que estar "em cima da mesa":

1. A reestruturação da dívida (leia-se bancarrota), como forma de recomeçar e deixar de libertar tanto dinheiro para pagamento de juros.
2. A criação de moeda própria (saída do euro)
3. A criação de barreiras alfandegárias que promovessem a correcção da balança comercial e imprimissem novo fôlego aos produtores nacionais ( renunciar aos tratados da UE e à própria UE)

É sobre o terceiro fenómeno que gostaríamos de ouvir as opiniões dos nossos leitores.
O assunto é complexo pelo que a sua análise exige mentes com espírito aberto e desassombrado.

Esta semana houve uma votação em França (notícia aqui) em que se questionaram assuntos tão importantes como o regresso do proteccionismo e outros fenómenos económicos que arrepiam as mais elementares regras dos Tratados Europeus.

70% dos entrevistados acreditam que se devem erguer barreiras alfandegárias contra produtos importados de países emergentes;
66% acredita que caso outros países europeus não sigam este caminho, a França deverá fazê-lo sozinha;
Apenas 22% acredita que o mercado aberto é bom para a França.

E estamos a falar da França, um país que esteve na origem e na constante renovação do modelo social europeu.

Fica aberta a discussão!

Tiago Mestre

11 de abril de 2012

... sobre a incorporação da regra europeia dourada

Já entrou nos radares mediáticos a discussão da incorporação da regra dourada europeia na lei portuguesa.

Desconhecemos o seu teor, não porque não nos interessa, mas porque a vontade subjacente à sua ratificação parlamentar advêm de pressupostos tão irrealistas e imorais que o tornam um nado morto:

- Cumprir o que se exige nesta adenda dourada ao Tratado de Lisboa é uma quimera tecnocrática para países como Portugal encaixados na UME, que se deixaram levar pela bebedeira financeira europeia e que se vêem num caos sem sentido: austeridade para tentar compor as contas e uma recessão às cavalitas da austeridade.

- Reforça o Tratado de Maastricht, mas como este foi violado, e violado, e novamente violado, ano após ano, sem consequências para os prevaricadores, uma segunda exigência no cumprimento das regras de endividamento e de déficit é uma redundância e perde valor. Se não se cumpre o que se assinou no primeiro papel, duvidamos que se cumpra o que se assinou no segundo.

- O Tratado de Lisboa é, grosseiramente, uma farsa. Procede de um Tratado Europeu que foi chumbado na Holanda e em França por referendo. Quão sábio já era o povo europeu em 2004 e 2005 quando se negava a transferir poder para Bruxelas. Foi ratificado nas assembleias de cada país à socapa do povo, com medo dos resultados, à exceção da Irlanda, que por motivos constitucionais foi a referendo. Chumbou à primeira e lá passou à segunda.
Depois de ser ratificado foi violado sem apelo nem agravo; e consequências para o prevaricador? Nenhumas. A face mais visível desta vilanagem foram as compras de dívida soberana pelo BCE, quando o artigo 123º proíbe explicitamente este tipo de operações.

- Tanto quanto sabemos, país que não assina vê-se excluído do acesso ao fundo de resgate ESM. Comentários para quê?

- A nossa cultura portuguesa, pela sapiência acumulada durante séculos, sabe relativizar e descartar as leis que se distanciam do bom senso comum.Não é uma assinatura num papel que tornará as nossa contas públicas um exemplo de disciplina financeira.
A saúde financeira do estado só advirá se os "bond vigilantes" estiverem sempre atentos às asneiras dos políticos portugueses. E como? Exigindo juros altos. E porquê? Porque o juro é o mecanismo que interpreta a percepção de risco, o prémio por emprestar a quem não garante boa gestão da coisa pública. E o que ganhamos com isso? Endividamo-nos menos porque sabemos quão caro é pedir dinheiro emprestado.
Este é que é o melhor Tratado que poderíamos incluir na nossa legislação.

- Conceber tratados que já se sabe que não serão referendados é um favor que os políticos fazem a eles próprios. Escreve-se o que interessa, omite-se o que interessa, fazem-se chantagens veladas, enfim, uma bebedeira pseudo-ideológica que se distancia cada vez mais da vontade dos cidadãos. Veremos!

Este assunto continuará a ter alguma atenção aqui no Contas pela discussão mediática que se está a gerar à volta disto, mas objetivamente é só mais um papel que será assinado hoje e violado amanhã. A Europa já nos habituou a este modus operandi. Muita parra, pouca uva e quase sempre estragada.

Tiago Mestre

DECO corta a direito na análise à nova taxa sobre as grandes superfícies

Ouvimos nós esta manhã na Antena1 a notícia de que estava na calha a promulgação de uma nova taxa a incidir sobre as grandes superfícies.

A DECO foi convidada e comentar a notícia e não perdeu tempo:
"As grandes superfícies irão transportar este acréscimo de custo, ou para o preço final, ou para os fornecedores. Baixar margens do negócio é que não acreditamos!"

Concordamos com a DECO na substância, mas divergimos na conclusão. Subentende-se que a DECO veria com bons olhos a acomodação desta taxa apenas na redução das margens do negócio. Nós isso não aceitamos.
As margens de rentabilidade de uma empresa é para nós território sagrado. Sem (boa) rentabilidade, as empresas definham, deixam de ser atrativas a novos investidores, pagam menos impostos, etc, etc. Até acreditamos que algumas superfícies possam acomodar este aumento caso se revele de valor residual, mas por princípio, esses custos devem ser passados para o preço final.

Moral da história: o imposto a criar pelo governo será uma maneira encapotada de retirar poder de compra à população e/ou esmagar ainda mais os fornecedores. Não percam tempo a ouvir as justificações da senhora ministra Assunção Cristas, porque não vale mesmo a pena, com todo o respeito.

Com todos estes aumentos de impostos no comércio e afins ficamos na dúvida se a inflação elevada em Portugal não se deve em parte também a estas decisões avulsas que parece não terem fim.

Tiago Mestre